Maria Cláudia

Aproxima-se o dia do julgamento do caseiro Bernardino e da doméstica Adriana, réus confessos dos crimes de tortura, estupro e morte da estudante Maria Cláudia Del’Isola, 19 anos, há quase três anos. Foi um longo período de protelação, considerando a barbaridade cometida contra a estudante. Não há dúvida de que o macabro casal será condenado. Mas quanto anos ambos ficarão na cadeia, considerando que os criminosos têm a seu favor um conjunto de artifícios que reduz penas e abre a porta para a liberdade? Há situações em que por um desatino o indivíduo mata o outro. O arrependimento é imediato e a punição abrandada. Não é o caso da fria e premeditada execução de Maria Cláudia. Foi um crime pensado, articulado e o motivo mais do que fútil. A índole do caseiro é das mais cruéis. Foi condenado por tentativa de homicí homicídio na Bahia. Desembarcou na cidade e tentou estuprar uma adolescente. Por fim, chegou ao ápice com a bárbara execução de Maria Cláudia. A doméstica, talvez muito mais cruel do que caseiro, participou da barbárie por ciúmes, inveja e todos outros mesquinhos sentimentos. Incitou o caseiro ao estupro e assassinato. Assim, não há como atenuar a punição máxima para a doméstica. Uma mulher que, desde o nascimento, nunca mereceu a qualificacação de ser humano. Imputar a esses dois indivíduos a punição máxima, acrescida de dois terços da pena, como se costuma dizer, talvez não seja suficiente. Há quem imagine que defendo a pena capital. Em hipótese alguma proporia isso. A morte é um escape para quem pratica atos hediondos. O correto é impedir que desfrutem do bem maior que é a liberdade. Sequer deveriam poder conviver com outros detentos. Isolamento total para Adriana e Bernardino, com uma mínima ração para que se mantivessem vivo. E não venham os organismos defensores dos direitos humanos alegar que isso é crueldade com o macabro casal. Trata-se apenas de Justiça.

 

 

Isadora Teles Gomes, Lago Norte