Depoimentos

Angélica, poetas,
Também gostei de participar. Tive respostas estimulantes, bem-humoradas; por outro lado, me deparei com a pergunta de como captar a atenção das meninas por todo o tempo em que estamos ali, à frente delas, tentando diverti-las e informá-las de algum modo, com e sobre poesia.
Creio ser preciso ter cuidado para não idealizar demais as crianças, bem como para não superestimar a importância, sempre relativa, de nossa participação. Penso que se acentua mais que o devido a carência delas, e nossa própria atitude ultradoce, embora genuína, mostra um pouco isso. No entanto, precisamos acentuar sempre o seu potencial, as coisas que elas podem ter e as que já têm. Também se faz isso nos depoimentos, felizmente.
Para entendermos aquilo de que precisam e o que querem, é necessário nos colocarmos ao nível dos olhos delas; envolve ainda percebermos que também nós somos carentes de encontros lúdicos, à maneira daqueles.
Acho que definir, circunscrever um pouco – sem limitar demais, claro – as tarefas a serem realizadas lá pode ajudá-las e a nós a tornarmos os encontros não só prazerosos, mas eficientes – no sentido de aos poucos se sedimentarem conhecimentos e se desenvolverem habilidades.
Por exemplo, pode-se pensar em: uma brevíssima história da literatura para crianças, uma sessão dedicada a ouvir e a inventar histórias (voltemos a Monteiro Lobato!), uma oficina do tipo “como nasce um poema” (valendo-nos do José Paulo Paes autor para os mais novos) etc.
São sugestões, ok?
Abraços a todos,
Fernando.

Depoimento de Cristiane Sobral,

O brilho nos olhos das meninas me fez lembrar da minha infância em escola pública e do quanto foi incrível poder ter contado com algumas educadoras, com o seu amor e suas iniciativas que me incentivaram e impulsionaram adiante. Comecei a me descobrir como escritora na escola primária, quando participei de concursos de poesia do Estado. Creio que o Instituto está plantando sementes férteis, regando com amor e compreensão, compartilhando com as mães guerreiras dessas lindas meninas a construção de um horizonte melhor para os nossos futuros cidadãos.
Guardo com alegria a lembrança de poder ter estado ao lado dessas meninas luz.
Beijos

Cristiane Sobral

Sorriso largo, alegria estampada na cara, cercada de anjos de luz., esparramada no chão.
Eu, a poesia, o pandeiro, a dança, as crianças de mãos dadas, a palavra encantada, a arte em oração.
Que tarde feliz, lindeza de vida. “Tia, vamo fazer a brincadeira do Escravo de Jó?”
Cada passo, um suspiro; cada toque, um riso; cada canto, um tum de coração.
Que Nossa Senhora da Poesia me presenteie com mais tardes como essa!
E a vida voa embalada num colorido e doce balão!