A evitável agonia da W3

W3 EM DECADÊNCIA

Artigo no Jornal de Brasília

É triste constatar que, apesar das muitas promessas de revitalização, a decadência da avenida
W3 segue de forma gradual (mas não lenta!) diante da acomodação do GDF. A ninguém isso passa
desapercebido.
Tudo seria muito simples se as autoridades preferissem a adoção de medidas eficazes aos
planos mirabolantes. E se houvesse, de fato, vontade política em executá-las.
Que sejam analisadas as propostas de recuperação apresentadas pelos cinco primeiros
colocados no concurso da W3 e se implementem as soluções de curto prazo. Para isso foi criado
o Conselho Gestor da W3 sob a coordenação do GDF. As outras discussões, como a relativa
ao Projeto Conceitual do Sistema de Transporte do DF e a construção de uma imensa praça
subterrânea em frente ao Pátio Brasil continuariam a ser discutidas com a comunidade, pelo vulto
do investimento que representam e pelas mudanças que encerram.
Até mesmo porque não há como se falar em qualquer plano de transportes para a W3, sem
integrá-lo ao Plano Diretor da Área Tombada, assunto este que anda meio esquecido pelo Governo.
Igualmente bastante discutível, é essa idéia de se fazer uma praça subterrânea em frente ao
Pátio Brasil. A seriedade da proposta do Instituto dos Arquitetos do Brasil, apresentada em reunião
do Conpresb, na qual o nível atual da W3 seria reservado aos pedestres, cabendo aos veículos
trafegarem no subsolo, precisa ser levada em consideração a despeito dos interesses econômicos
que venha a contrariar. É a concepção da cidade que está em jogo.


E as medidas eficazes, de curto prazo, de que falamos ao início desse artigo? Ah, elas são
de uma simplicidade incrível e em toda cidade que se preza fazem parte da rotina administrativa
diária, senão vejamos. É difícil ter uma melhor iluminação, uma via limpa, sem lixo, com lixeiras
em número adequado, sem faixas e propagandas, com banheiros públicos em condição de uso,
passeios bonitos, padronizados e adequados aos portadores de necessidades especiais garantindo-
lhes o direito de ir e vir? E tudo isso sem se esquecer dos gramados, das placas de sinalização e
paradas de coletivos, visualmente belos e integrados. A segurança se faria pela presença da Polícia
em tempo integral, com viaturas estrategicamente posicionadas. Complemente-se esse ideário
simples com um planejamento de segurança específico onde o monitoramento por meio de câmeras
de vídeo faria parte dos meios disponíveis. Sem dúvida, as ações depredadoras (vide as pichações),
seriam desencorajadas. Resultando em maior segurança aos transeuntes e moradores.
É obvio que há dificuldades a enfrentar. A fiscalização do GDF teria de se tornar eficaz.
Padrões civilizados de conduta, limpeza e ocupação de área pública por parte dos quiosques,
ambulantes e flanelinhas teriam de ser exigidos. Os mecânicos instalados tanto na W3 quanto na
W2 e nas entrequadras – caso atípico de ocupação das áreas públicas para a prestação de serviços
privados – teriam de deixar de contar com a complacência do Governo.
Tarefa de suma importância a ser enfrentada, em ação conjunta do Governo, é também a
retirada de comércios, pousadas e pensões instalados nas 700’s, antiga reivindicação dos moradores
pelos incômodos que trazem em uma área que deveria ser exclusivamente residencial.
É indiscutível a necessidade de envolvimento do morador e do comerciante no sentido
de trazer uma cara nova à W3 e ouso afirmar que para isso não se furtariam em prestar a sua
colaboração. Há de se compreender, no entanto, que eles precisam ter a certeza da contrapartida
do governo, para que tudo não se esvaia na fragilidade das ações e na omissão dos responsáveis por
zelar pelo patrimônio público.
Sem dúvida, a W3 carece mais de ações governamentais do que de grandes obras.
Ao alvorecer de 2005, esperamos que a conjugação de esforços entre o GDF, moradores e
comerciantes, como o apoio dos sérios institutos existentes em nossa cidade, nos permita desfrutar,
em breve, de uma W3 inserida em nossa Brasília, em perfeita harmonia com o título que a cidade
ostenta.
Heliete R. Bastos – Presidente do Conselho Comunitário da Asa Sul , Membro do CONPRESB

Obs: artigo publicado no Jornal do Brasil – Caderno Cidades dia 01/02/05

Lendo matéria deste jornal publicada em 25/01/11, me veio à memória artigo que escrevi a um
jornal local, em fevereiro de 2005, sobre a avenida W3. Peço licença ao leitor para transcrever
alguns trechos, que me fazem reviver a esperança que tínhamos há 6 anos passados, quando nem se
falava em VLT, hoje citado como a única solução possível para que essa via recobre um pouco de
sua dignidade.Vamos lá: “…É triste constatar que, apesar das muitas promessas de revitalização,
a decadência da avenida W3 segue de forma gradual (mas não lenta!) diante da acomodação do
GDF. A ninguém isso passa desapercebido. Tudo seria muito simples se as autoridades preferissem
a adoção de medidas eficazes aos planos mirabolantes. E se houvesse, de fato, vontade política
em executá-las. Que sejam analisadas as propostas de recuperação apresentadas pelos cinco
primeiros colocados no concurso da W3 e se implementem as soluções de curto prazo. Para isso
foi criado o Conselho Gestor da W3 sob a coordenação do GDF. …”As outras discussões, como
a relativa ao Projeto Conceitual do Sistema de Transporte do DF…”, ….“Até mesmo porque não
há como se falar em qualquer plano de transportes para a W3, sem integrá-lo ao Plano Diretor da
Área Tombada, assunto este que anda meio esquecido pelo Governo”.O resultado do concurso
da W3 foi varrido para o lixo, o Conselho Gestor da W3, idem. O tal projeto conceitual
do transporte, de onde hoje o VLT está desvinculado continua um mistério, sem falar no
Plano Diretor extinto pelo PDOT. Em seu lugar um Plano de Preservação que começou com
problemas e nem imaginamos como anda.
…“E as medidas eficazes, de curto prazo, de que falamos ao início desse artigo? Ah, elas são
de uma simplicidade incrível e em toda cidade que se preza fazem parte da rotina administrativa
diária, senão vejamos. É difícil ter uma melhor iluminação, uma via limpa, sem lixo, com lixeiras
em número adequado, sem faixas e propagandas, com banheiros públicos em condição de uso,
passeios bonitos, padronizados e adequados aos portadores de necessidades especiais garantindo-
lhes o direito de ir e vir? E tudo isso sem se esquecer dos gramados, das placas de sinalização e
paradas de coletivos, visualmente belos e integrados. A segurança se faria pela presença da Polícia
em tempo integral, com viaturas estrategicamente posicionadas. Complemente-se esse ideário
simples com um planejamento de segurança específico onde o monitoramento por meio de câmeras
de vídeo faria parte dos meios disponíveis. Sem dúvida, as ações depredadoras (vide as pichações),
seriam desencorajadas. Resultando em maior segurança aos transeuntes e moradores.
…“É obvio que há dificuldades a enfrentar. A fiscalização do GDF teria de se tornar eficaz.
Padrões civilizados de conduta, limpeza e ocupação de área pública por parte dos quiosques,
ambulantes e flanelinhas teriam de ser exigidos. Os mecânicos instalados tanto na W3 quanto na
W2 e nas entrequadras – caso atípico de ocupação das áreas públicas para a prestação de serviços
privados – teriam de deixar de contar com a complacência do Governo”.
…“ É indiscutível a necessidade de envolvimento do morador e do comerciante no sentido
de trazer uma cara nova à W3 e ouso afirmar que para isso não se furtariam em prestar a sua
colaboração. Há de se compreender, no entanto, que eles precisam ter a certeza da contrapartida
do governo, para que tudo não se esvaia na fragilidade das ações e na omissão dos responsáveis
por zelar pelo patrimônio público. Sem dúvida, a W3 carece mais de ações governamentais do que
de grandes obras. Ao alvorecer de 2005, esperamos que a conjugação de esforços entre o GDF,
moradores e comerciantes, como o apoio dos sérios institutos existentes em nossa cidade, nos
permita desfrutar, em breve, de uma W3 inserida em nossa Brasília, em perfeita harmonia com o
título que a cidade ostenta”. Seis anos depois arrisco perguntar a quem de direito e a você que
me dá o prazer da leitura, o que de fato fizeram as nossas autoridades?