Segundo levantamento, a cada 10 dias pelo menos uma pessoa tem roda roubada

A Esplanada dos Ministérios é alvo constante da ação de criminosos que arrombam veículos estacionados próximos aos prédios públicos
Naira Trindade

Publicação: 27/03/2011 10:25 Atualização: 27/03/2011 09:41

A ação de criminosos interessados em furtar rodas de veículos assola os estacionamentos da região central de Brasília. Levantamento preliminar da 5ª Delegacia de Polícia, na área central, mostra que, a cada 10 dias, pelo menos uma pessoa registra queixa sobre esse tipo de crime. Dados levantados a partir de investigações policiais revelam que os ataques ocorrem geralmente durante o dia e em vários pontos da Esplanada dos Ministérios. Entre janeiro e meados de março, houve sete casos na região. Mas a quantidade é ainda maior, pois muitas vítimas não registram ocorrências.

A analista de sistemas Karinne Lemos Silva, 24 anos, teve uma infeliz surpresa ao ver seu carro, um Gol vermelho, com parte da lateral no chão e sem uma das rodas de liga leve, avaliada em R$ 800. Atrasada para um compromisso urgente, a moradora de Santa Maria precisou de ajuda para colocar o estepe. “Estacionei próximo ao anexo do Ministério da Saúde às 8h15. Quatro horas depois, saí para ir ao sepultamento de um parente de uma amiga e fui surpreendida”, reclamou.

A cena descrita por Karinne se repete com frequência na Esplanada dos Ministérios. Nas últimas duas semanas, apesar de a 5ª DP não ter registrado nenhum caso semelhante, servidores públicos contaram ter presenciado dois veículos de funcionários de ministérios sofrerem arrombamentos ou furtos de rodas. “Está se tornando comum encontrar carros ‘no chão’. Na maioria das vezes, levam as quatro rodas. No meu caso, acho que alguém deve ter passado na hora e inibido a ação dos assaltantes”, disse Karinne. Ela registrou ocorrência na 1ª Delegacia de Polícia, na Asa Sul.

Dados da Secretaria de Segurança Pública mostram uma redução de 3% nos registros de furtos em veículos na capital federal (leia quadro). As estatísticas, no entanto, não detalham as modalidades do crime — os assaltantes levam toca-CDs, pneus, rodas, roupas e qualquer objeto de valor à vista. Em 2009, 10.636 pessoas procuraram as delegacias do Distrito Federal para reclamar de furtos no interior de veículos. No ano passado, as estatísticas apontaram queda no número, com 10.536 casos.

Operação

A redução nos dados também está relacionada ao desinteresse da população em registrar a ocorrência. Vítima de dois furtos em menos de quatro meses, o morador de São Sebastião Daniel Luck, 28 anos, revelou-se descrente com a ação da polícia. “Não adianta nada registrar a ocorrência”, avaliou. Ele, por exemplo, não comunicou o último crime sofrido à delegacia da área. “Deveríamos ter mais policiamento”, sugeriu.

Luck teve o aparelho de som de seu Corsa levado há quatro meses. Há dois, ele quase sofreu um acidente depois que criminosos tentaram roubar uma das rodas de seu carro. “Tentaram retirá-la, mas não conseguiram. Dirigi com a roda bamba até a minha casa, sem perceber o problema. No outro dia, ao sair, notei que o carro estava diferente. Parei e vi que dois parafusos estavam soltos”, contou.

Uma ação que os agentes da 5ª DP colocarão em prática nos próximos dias tem como objetivo justamente combater os furtos em veículos na região. “Vou intensificar um trabalho velado na região a partir do levantamento dos casos nos ministérios e abordar os transeuntes e os flanelinhas”, adiantou o delegado-chefe da unidade, Laércio Rossetto. “Já atuamos da mesma forma no Setor Comercial Norte e conseguimos reduzir bastante o número de ocorrências. A partir desses registros, conseguimos mapear onde ocorrem os crimes”, explicou o delegado. Ele reforçou ainda a importância de as vítimas procurarem as delegacias para que a polícia possa identificar a ação dos bandidos e traçar estratégias para coibir os ataques.