Família enfrenta mais uma batalha

A família da estudante Maria Cláudia Del’Isola se prepara para enfrentar mais uma etapa da batalha para condenar os assassinos da jovem. Amanhã, a empregada doméstica Adriana de Jesus Santos, 24 anos, e o caseiro Bernardino do Espírito Santo Filho, 33 anos, voltam a sentar-se no banco dos réus. Adriana já foi condenada a 58 anos de prisão, mas tem direito a um novo julgamento porque a pena foi superior a 20 anos em um dos crimes – homicídio triplamente qualificado. Por coincidência, hoje completa três anos a morte da estudante, violentada e assassinada pela empregada doméstica e por Bernardino. Para lembrar a data, o Movimento Maria Cláudia pela Paz realiza uma festa de Natal para cerca de mil crianças e idosos carentes. O evento será a partir das 15h, no ginásio do Colégio Marista, na 615 Sul. Os pequenos e os idosos assistirão a uma apresentação musical e a uma peça teatral intitulada História de um Anjo. Depois do lanche, os participantes receberão do Papai Noel um brinquedo. O material foi arrecadado durante uma gincana do Marista. – As ações do movimento transformam o espírito da Maria Cláudia em iniciativas concretas. É uma das formas que tenho de me sentir abraçada por Deus – diz a mãe da jovem, Cristina Del’Isola. Ela explica que a ONG surgiu por conta da mobilização de amigos e pessoas sensibilizadas com o crime. Cristina afirma que o amparo dos cerca de 300 voluntários ajuda a superar o medo de viver em uma sociedade cada vez mais violenta. Para a mãe de Maria Cláudia, a presença de tantos envolvidos no movimento destaca um lado bonito do ser humano, que se sensibiliza com a dor alheia. – E a ONG tem muito a cara da minha filha. Para ela, não tinha tempo ruim, ela conseguia valorizar as pessoas pelo que elas tinham de melhor – lembra. A coordenadora do movimento, Marta Pantuzzo, escla-

rece que as iniciativas visam evitar tragédias como a que tirou a vida da estudante. – Nada trará a Maria Cláudia de volta. Sequer vamos curar a dor dessa família. Mas precisamos cobrar das autoridades uma resposta a tudo isso. Não se trata de vingança, é uma questão de justiça, de fazer a verdade vir à tona – disse Marta. No primeiro aniversário da morte da jovem, os voluntários entregaram aos então presidentes da Câmara dos Deputados, Severino Cavalcanti, e do Senado, Renan Calheiros, um ofício solicitando mais rigor com os criminosos. No ano passado, o movimento uniu-se com as ONGs Gabriela Sou da Paz, do Rio de Janeiro, Viva Rio e Brasil Sem Grades, do Rio Grande do Sul, para criar uma rede de integração entre as vítimas da violência. O Maria Cláudia pela Paz conta com a participação de familiares de outros jovens que perderam a vida em crimes bárbaros na capital. Hoje, o movimento encerra a distribuição de cerca de 50 mil panfletos que chamam a atenção da sociedade para o julgamento. Amanhã, a partir das 6h, o grupo estará reunido novamente em frente ao Tribunal de Justiça do DF para dar apoio aos parentes da jovem. Adriana e Bernardino entrarão juntos no Tribunal do Júri, às 9h. O promotor de Justiça Maurício Miranda não sabe se a defensoria pública pedirá o desmembramento do júri. No primeiro julgamento da empregada doméstica, no mês passado, a defesa da ré pediu que o caseiro prestasse depoimento na qualidade de testemunha. – A única maneira de Bernardino ser ouvido é se ele for julgado no mesmo dia. Para nós, o melhor é que isso ocorra, para dar celeridade ao processo – disse. Se o caseiro mudar a versão dos fatos e inocentar Adriana, Miranda esclarece que não haverá prejuízo à decisão do caso. Bernardino pode pegar até 66 anos de prisão. Assim como Adriana, ele também pode se beneficiar do regime de progressão de pena e sair da cadeia dentro de nove anos.