Caseiro tenta inocentar ex-amante

O ex-caseiro Bernardino do Espírito Santo Filho, 33 anos, um dos acusados de torturar, violentar e executar a estudante Maria Cláudia Del’Isola, há três anos, tentou inocentar a sua cúmplice e ex-amante, a doméstica Adriana de Jesus Santos. Nos depoimentos prestados à polícia, Adriana havia confessado participação no crime. Admitiu que foi movida por ciúmes e inveja da vítima. O crime ocorreu dentro da casa da estudante, que teve seu corpo ocultado em um cômodo próximo à sala de visita. Ontem, Marco Antonio e Cristina Del’Isola voltaram ao Tribunal do Júri de Brasília para assistir ao julgamento dos acusados de matar a sua filha. Desta vez, o júri não foi desmembrado.  Bernardino e Adriana são julgados ao mesmo tempo. A previsão é que a sentença sai hoje a noite. Condenada Esta é a segunda vez que Adriana senta no banco dos réus. No mês passado, ela foi condenada a 58 anos de prisão, pelos crimes de homicídio triplamente qualificado, estupro, atentado violento ao pudor e ocultação de cadáver. Mas, como recebeu uma pena superior a 20 anos pelo crime de homicídio, Adriana teve direito a um segundo julgamento. Bernardino é acusado dos mesmos crimes, além de furto qualificado. O juiz João Egmont não acatou ao pedido da defesa para que Adriana e Bernardino fossem julgados separadamente. O juiz considerou que os dois deveriam ser julgados ao mesmo tempo, para que houvesse unidade processual. O primeiro a ser ouvido foi Bernardino. Ao ser questionado sobre o que ocorreu no dia do crime, Bernardino mudou a versão apresentada à polícia e à imprensa na época do crime. Agora, ele afirma que Adriana ficou o tempo todo na cozinha da casa e que não viu e nem participou do assassinato. – Quero hoje dar o verdadeiro depoimento. Adriana não participou de nada. Eu fiz tudo sozinho. eu não combinei nada com Adriana. Vim falar a verdade, porque ela ia ficar presa por algo que não cometeu – disse. Bernardino afirmou que foi coagido por policiais para acusar Adriana. – Colocaram um saco na minha cabeça. Me deram tapas, fizeram com que eu dissesse coisas que não tinha nada a ver. Eu dizia uma coisa e escreviam outra – afirmou. O depoimento de Bernardino, muito confuso, durou quase três horas. Ele não soube explicar o porque rendeu, violentou e matou Maria Claudia, já que segundo ele, seu único interesse era roubar o dinheiro que ela tinha para poder fugir. Ele contou que precisava de dinheiro porque estava desesperado, estava com medo de ser preso por outro crime. Poucos meses antes de matar Maria Cláudia, Bernardino havia estuprado uma menor de 14 anos. – Eu vi helicópteros e carros de polícia passando perto da casa. Por isso, precisava fugir. Eu queria apenas pegar o dinheiro dela. Mas, na hora, perdi o controle e dei dois golpes de pá na cabeça dela – disse. Nova versão Depois de um intervalo para o almoço, foi a vez de Adriana ser ouvida. Ela confirmou a versão dada por Bernardino. Disse que ficou o tempo todo na cozinha e não percebeu nenhuma movimentação estranho na casa no momento do crime. Adriana também alegou ter sofrido coação para confessar o crime. – Colocaram palavras na minha boca. Quando eu assumia o crime eles paravam de me bater. Eles me bateram e me fizeram confessar. estou pagando por um crime que não cometi – disse Adriana. O promotor Maurício Miranda disse que já esperava que Bernardino tentasse livrar a culpa de Adriana, mas que não há dúvidas de que ela participou do crime. A mãe de Maria Cláudia, Cristina, se mostrou indignada com a versão apresentada por Bernardino. – Cheguei com esperança de que aqueles dois monstros pudessem ter um minuto de lucidez e assumissem definitivamente as consequências dos atos praticados por eles. Mas, em vão. Eu vejo que eu ainda sou muito ingênua – disse Cristina, visivelmente abalada.