Nunca te conheci, sempre te amei

Há uma pureza santa em teu semblante. Na realidade, esse sorriso, esse olhar são dirigidos a quem contigo estava, ou a quem demonstravas afeto. Aproveito e imagino que eu sou uma dessas pessoas. Quem não gostaria de ser? Quem não gostaria de ter uma filha, uma sobrinha, uma neta, uma amiga como tu? Não preciso ouvir o som da tua voz, que a tomar pelo de tua linda irmã e serena mãe, também com certeza era doce, plácido, cheio de ternura e te imagino dizendo: “Eduquem as crianças do nosso planeta para que não seja preciso punir os adultos”. A frase, de um autor famoso, me vem à lembrança porque há exatamente três anos ouço depoimentos de gente que te conheceu, mas que não se conhecem entre si e todos são surpreendentes porque compõem uma unidade de conceito rara sobre quem não é artista, desportista, ou exerce cargos em qualquer das esferas do Poder: és sinônimo de bondade. O respeito e o amor dedicados a ti eram tantos – e assim tratavas teus semelhantes – que no dia 12 de novembro passado, o defensor Público Frederico se sentiu obrigado a confessar para os jurados, que ele não seria “nem louco” de dizer algo que maculasse um fio de cabelo teu, até porque tinha amigos que te conheciam e compartilhavam a mesma opinião demonstrada pelo brilhante promotor Maurício pelas testemunhas, entre elas teu pai – que deu exemplo de elegância e honradez em todos os momentos – e pelo filme sobre ti narrado por tua mãe – uma fortaleza e candura ao mesmo tempo – que a todos emocionou. Ali, te vi criança até a idade em quem atraiçoada, foste torturada, violen- tada, morta e enterrada, pela ré e seu amante – que também deverá ser julgado hoje – num cômodo destinado a objetos de jardinagem. O doutor Frederico com sua experiência deveria saber que não havia chance para Adriana de Jesus Santos, e a esgrima verbal inconsistente de sua parte, mantida com doutor Maurício deu a garantia de que finalmente ali seria feita justiça. E a justiça foi feita. Respaldar tentativas de argumentos em defesa da criminosa hoje será impossível. Todos sabem que aquela mulher que te matou friamente tem um perfil psicológico incompatível para viver em sociedade, como demonstraram os laudos psicológico e psiquiátrico, lidos pelo juiz João Egmont, que numa sentença magistral, histórica, condenou-a à pena máxima: 58 anos de prisão, a primeira concedida no Distrito Federal tal a barbárie praticada contra ti. O mesmo irá acontecer com o defensor do desnaturado assassino, Bernardino do Espírito Santo Filho. Não terá chance de que o resultado seja diferente. O réu, como sua cúmplice, verá que a justiça será feita. Na leitura processual do primeiro julgamento da criminosa, que contava a história de terror das mais incríveis e horripilantes, que já ouvi, os dois criminosos se configuram o oposto de ti, eles são sinônimo de maldade. E como um povo que se preza e recusa a impunidade, vamos orar e confiar nas autoridades e no júri para que a pena da brutal assassina seja mantida ou aumentada e que o réu, ardiloso e reincidente receba o que lhe é devido: pena máxima. Essas duas bestas-feras deveriam se ajoelhar aos teus pés por tudo o que fizeste de maravilhoso por eles, mas te tiraram covardemente a vida. Não conseguirão que nos esqueçamos um só dia da tua generosidade, da tua juventude saudável, do teu desejo de paz para o mundo. Maria Cláudia, nunca te conheci, mas sempre te amei desde que te conheci.