Penas somam 123 anos de cadeia para assassinos

A primeira guerra da família Del’Isola para condenar os assassinos da estudante Maria Cláudia terminou na madrugada de ontem. O ex-caseiro Bernardino do Espírito Santo Filho, 33 anos, e a ex-empregada doméstica Adriana de Jesus Santos, 24, receberam a pena máxima pelo assassinato da jovem. Adriana foi condenada novamente a 30 de prisão por homicídio triplamente qualificado. Já o ex-caseiro, julgado pela primeira vez, recebeu 65 anos pelos crimes de estupro, atentado violento ao pudor, homicídio, ocultação de cadáver e furto. Ao contrário do que ocorreu com a ex-empregada doméstica, a defesa de Bernardino não vai pedir a formação de um novo júri. O defensor público André Ávila explica que entrará apenas com recurso para rever a quantidade de anos que o ex-caseiro deve ficar na cadeia. O réu ainda pode se beneficiar do regime de progressão de pena, se tiver bom comportamento durante a prisão. Com isso, Bernardino pode estar de volta ao convívio social dentro de oito anos. Durante o julgamento, a defesa de Adriana tentou convencer os jurados de que ela não participou dos crimes. Já o defensor de Bernardino tentou retirar os requintes de crueldade – o motivo torpe e a impossibilidade de defesa da vítima.  Apesar disso, o promotor de Justiça Maurício Miranda já esperava o resultado da sentença. Miranda ressaltou que os pais de Maria Cláudia não tinham como prever a atitude criminosa do ex-caseiro e da ex-empregada. O promotor trabalhou sua contestação de forma a derrubar as mentiras contadas pelos réus. Em depoimento, Bernardino afirmou pela primeira vez que Adriana não havia participado do crime. A versão provocou indignação no público que assistia ao julgamento. – O Marco Antônio (pai de Maria Cláudia) não tinha como visualizar essas duas feras. A família vivia em harmonia com os empregados da casa. Por que maltratar alguém que só deu amor e carinho? – disse Miranda. Em outra ocasião, a avó de Maria Cláudia, Fernanda Siqueira, 78 anos, disse que o assassinato da jovem desestruturou a família por completo. Dona Fernanda teve de mudar de bairro, em Salvador, para não dar de cara todos os dias com a casa onde conheceu Bernardino. Foi ela quem indicou o caseiro para trabalhar na casa dos Del’Isola. Com ele, veio a namorada, Adriana. – Por que tanta barbaridade, tanta falta de humanidade com a minha neta? – questionou. Para o pai da estudante, Marco Antônio, as sentenças foram justas e um exemplo de combate à impunidade. – Não se comemora um resultado desses. Mas a gente sai fortalecido por saber que, nesse caso, os criminosos vão responder pela crueldade que praticaram.