Família de João Hélio: condenação foi justa

Quarta, 30 de janeiro de 2008, 19h15


Ernani Alves
Direto do Rio de Janeiro

 

O advogado da família de João Hélio Fernandes, Gilberto Fonseca, acredita que os quatro condenados pelo assassinato do garoto vão recorrer da sentença. Segundo ele, a condenação anunciada nesta quarta-feira foi apenas a primeira vitória. "A sentença foi justa. A família achou justa e eu também, mas acredito que eles vão recorrer ao tribunal. A vitória vai continuar", afirmou.

A juíza da 1ª Vara Criminal de Madureira, Marcela Caram, condenou quatro acusados de envolvimento com o assassinato do menino João Hélio por latrocínio – roubo seguido de morte. O grupo, no entanto, foi absolvido pelo crime de formação de quadrilha. Os réus Carlos Eduardo Toledo Lima, Carlos Roberto da Silva, Diego Nascimento da Silva e Tiago de Abreu Matos receberam penas de 45 anos, 39 anos, 44 anos e 3 meses, 39 anos, respectivamente.

O advogado teme que o futuro julgamento possa provocar redução da pena. "Tudo pode acontecer. Poderemos vencer novamente, mas por um placar menor. Eles têm direito. Qualquer um pode recorrer. Está na lei", disse.

O menino João Hélio morreu após ser arrastado por cerca de 7 km pelas ruas do subúrbio carioca na noite de 7 de fevereiro de 2007. O carro em que estavam o menino, sua mãe e irmã foi roubado por um grupo de bandidos. Ambas estavam no banco dianteiro do veículo e conseguiram escapar. Quando a mãe de João Hélio tentou tirá-lo de trás, o menino ficou preso ao cinto de segurança e acabou pendurado do lado de fora do veículo. Os ladrões dirigiram o carro e, quando pararam, o menino estava morto.

O caso causou revolta nacional. Sem saber que se tratava de um assalto, vários populares se desesperaram ao ver a criança sendo arrastada pelas ruas e gritavam ao motorista que parasse o carro. Os bandidos abandonaram o veículo e fugiram em direção à praça Três Lagoas.

Segundo foi apurado, Carlos Eduardo dirigia o veículo, Diego estava na carona e um menor de idade estava no banco de trás. De acordo com o processo, Tiago e Carlos Roberto, apesar de teriam sido responsáveis por deixar os demais de táxi no local em que a família foi abordada, nada fizeram para impedir o arrasto ou atender aos incessantes pedidos de socorro dos familiares de João Hélio.

Em março do ano passado, o menor de idade acusado de participar do crime recebeu da Justiça a medida sócio-educativa. Ele está internado em regime fechado. O prazo de internação não foi determinado na sentença.

Redação Terra