Crime da AABB

Crime da AABB
Acusados vão a júri amanhã

Três dos quatro jovens processados pela morte do estudante Paulo Roberto Rosal, após uma festa no Setor de Clubes Sul, em janeiro de 2007, sentam no banco dos réus


João Campos
Especial para o Correio

 

Paulo de Araújo/CB
Camila (e), irmã de Paulinho, e a mãe, Franciana, querem justiça: saudade e revolta na família
 

A luta de familiares e amigos do jovem Paulo Roberto Rosal Filho, 24 anos, é por justiça e contra a impunidade. Três dos quatro acusados de terem matado o jovem com um tiro no rosto em 13 de janeiro de 2007, na saída de uma festa, no clube Associação Atlética Banco do Brasil (AABB) — Arikson Ramos Rocha de Lima, 18, e os irmãos Jeferson e Joel de Araújo Costa, 18 e 24 anos — , serão julgados amanhã no Tribunal do Júri de Brasília. O quarto envolvido, Bruno da Silva Farias, 19, autor dos disparos contra a vítima, conseguiu adiar o julgamento após recurso no Ministério Público do DF alegando legítima defesa, mas teve o provimento da ação negado pelo Tribunal de Justiça do Distrito Federal e Territórios.

Na casa de Paulinho, como era conhecido pelos mais próximos, a confiança na justiça serve de alento para uma família abatida pela dor da perda de um ente querido. “Confiamos na consciência dos jurados. É com a dignidade que meu filho tinha que vou até o fim nessa batalha”, conta a mãe de Paulo, a professora Franciana Rosal, 54 anos. Vestindo uma camisa preta com a palavra “Justiça”, na frente; e a expressão “Por Paulinho”, nas costas, ela chora ao lembrar do filho.

Para a irmã, Camila Rosal, 27, o crime foi um ato de extrema covardia. “Meu irmão se dedicava ao esporte e aos estudos, não era de confusão. Precisamos evitar que outros jovens tenham a vida interrompida dessa maneira”, desabafa. No último sábado, centenas de pessoas foram ao Parque da Cidade caminhar em protesto contra a impunidade dos criminosos.

Acusação e memória
A promotora do caso, Maria José Miranda, explica que o desmembramento do júri pode ser uma estratégia da defesa. “Eles tentarão julgar um de cada vez. Assim, além de dificultar nosso trabalho, vão causar custos aos tribunais do DF”, conta. Ela explica que, apesar de apenas Bruno ter disparado, os quatro envolvidos são julgados por homicídio. “É como uma quadrilha que assalta um banco: não importa se é o que estava com a arma ou o que esperava no carro, não, todos respondem por roubo. Além disso o crime foi premeditado”, observa.

O julgamento está marcado para as 9h e, caso condenados, os réus podem pegar de 12 a 30 anos de cadeia. Segundo documentos do MP, Arikson teria uma rixa com Paulo, por conta de um campeonato de jiu-jitsu que teria perdido para a vítima. Segundo a promotora, os quatro aguardavam o jovem do lado de fora do clube, no Setor de Clubes Sul, na madrugada daquele 13 de janeiro. Três deles teriam cercado Paulo e tentado provocar uma briga, enquanto Bruno disparou várias vezes contra a vítima e seus amigos. Paulo estava no último semestre do curso de direito e praticava futebol e jiu-jitsu. O ginásio onde treinava, no Cruzeiro, foi batizado por amigos com o nome da vítima