Até quando nossa Polícia perderá essa luta para os criminosos – Por: Sérgio Gabardo

 
Nesta sexta-feira, se completam 29 meses da morte do meu filho Mário.

Um jovem de 20 anos, estudante de Direito da PUC-RS, que tinha uma vida inteira pela frente.

São dias em que a angústia tem como principal companheira, a impunidade, como em outros tantos casos. Até hoje os assassinos e/ou mandantes não foram apontados pelos organismos de segurança pública do Rio Grande do Sul. E os impunes assassinos continuam à solta, escolhendo a dedo, suas próximas vítimas, enquanto as “autoridades” andam em círculo.

E eu continuo amargando a dor e o sofrimento de um pai que sequer sabe o que exatamente aconteceu naquela dramática e inesquecível noite. Derramo minhas lágrimas diariamente e fico a indagar-me: o que teria ocorrido? Quem seriam esses assassinos? Teriam assassinado meu filho a mando de alguém?

Não foram poucas as vezes em que tentei fazer com que essas autoridades se sensibilizassem com a minha dor, de minha mulher e de todos os amigos do Mário. Impossível. Nada consegui, a não ser o desprezo e a certeza de que o assassinato do meu filho Mário seria tratado apenas como mais um caso sem solução; mais um número na gigantesca estatística dos crimes insolúveis.

Mas acredito que pouco adianta se falar em Justiça e sentimento aos integrantes da força pública: investigadores, delegados, procuradores, juízes, são incompreensivelmente insensíveis à dor das pessoas comuns, que não vivem em mansões e que não trabalham em gabinetes suntuosos. Nunca passaram por situação semelhante e, por isso mesmo, se mantêm a distância do sentimento de perda das pessoas comuns. Dos políticos, responsáveis pelos permanentes abrandamentos da legislação, nem precisa se dizer nada. Os escândalos falam por si.

Sem desejar o mal para ninguém, porque essa não é minha intenção, e sequer meu pensamento, mas acredito que essa impunidade só irá acabar quando essas “autoridades” enfrentarem na própria carne, o sentimento de perda tão próximo.

Quando, como eu e tantos outros brasileiros, sofrerem a angústia e a saudade de não poderem mais conversar com algum dos seus filhos…. quando sentirem a ausência…. o vazio… a dor… e, pior, a impunidade e a injustiça se sobrepondo à Justiça. Talvez a partir daí possamos pensar num mundo mais digno, menos violento e com menos impunidade.

Minhas lágrimas brotam naturalmente a cada dia, enquanto para essas “autoridades” a morte do meu filho (e de tantos outros) seja encarada apenas como mais um número para engrossar a estatística dos crimes insolúveis pelo descaso público.

Frete a tamanha incompetência e à perda irreparável e irreversível, resta-me continuar bradando por Justiça diante das insensíveis “autoridades”. E assim prosseguirei na minha caminhada em busca de Justiça, com a certeza de que se não houver uma pressão enorme da sociedade, essas “autoridades” continuarão tratando a perda dos nossos filhos apenas como mais um número. Nada mais do que isso!

E o meu apelo por Justiça não é único. Acompanho dezenas de casos semelhantes, onde os assassinos são contemplados com o manto da impunidade, insuflado pela falta de vontade das autoridades em encontrarem os responsáveis por crimes dessa natureza.

Continuam a assassinar jovens e pais de família, tendo como principal escudo, a impunidade, porque contam com a inoperância e o descaso das autoridades da segurança pública.

Até quando nossa Polícia perderá essa luta para os criminosos?

Chegaremos ao dia em que as autoridades da segurança pública se esforçarão e trabalharão dia e noite para identificar e prender assassinos desse tipo?

Viveremos até chegarmos a esse dia?

Tenho minhas dúvidas.

É só isso que quero. É um direito meu como pai de um jovem que teve a vida interrompida barbaramente na noite em que se dirigia para um churrasco de confraternização com amigos de infância.

Por tudo isso, cada vez que olho nos olhos da minha esposa, fico sem palavras, pois não tenho o que dizer a ela, restando a atitude de amor de abraçá-la enquanto choramos juntos.

Tudo pelo descaso e falta de vontade política das nossas autoridades.

Até quando?

*Artigo pulicado no site www.brasilsemgrades.com.br