Governo lança programa para reprimir consumo de crack no Distrito Federal


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Publicação: 26/10/2011 19:34 Atualização: 26/10/2011 19:56

O Comitê de Enfrentamento ao Crack do GDF divulgou, nesta quarta-feira (26/10), o primeiro relatório detalhado sobre a efetividade do planejamento da ação contra as drogas no Distrito Federal. Segundo o coordenador do comitê, o secretário Alírio Neto, de Justiça, Direitos Humanos e Cidadania, o projeto é composto por três fases: prevenção, recuperação e repressão. “A prevenção é um processo crescente. Nosso objetivo é alcançar 100 mil jovens, até agora atingimos 70 mil”, estimou.

Os mecanismos utilizados para conscientizar esse público jovem, segundo o secretário, são trabalhados em comunhão com a publicidade do projeto. Alírio Neto afirmou que a campanha veiculada na televisão teve um bom resultado, tendo sido replicada em outros estados do país. Segundo ele, foi criado um novo conceito dentro da publicidade – a propositiva – que mostra um fato positivo da vida, que é perdido com o uso de drogas. Em um segundo momento, a campanha tem a intenção é propiciar um debate na família.

“É preciso entender a linguagem do jovem e falar essa linguagem. Ela pode ser utilizada como instrumento para esclarecer sobre os riscos do uso de drogas. Nesse sentido, são feitas apresentações teatrais e de música com o objetivo de implementar o envolvimeno. A tentativa de informar os jovens sobre os riscos pretende evitar e diminuir a oferta de drogas. Tráfico no dicionário significa comércio. E há a lei de oferta e procura. Portanto, aliar a queda da procura à repressão e recuperação podem muito bem ajudar a solucionar o problema”, destacou.

Recuperação
De acordo com o relatório, o Centro de Atenção Psicossocial Álcool Drogas (CAPS) na Rodoviária do Plano Piloto atendeu, no mês de setembro, 449 dependentes. O número de adultos chega a atingir 438 enquanto o de adolescentes é de 11. Do total, 413 procuraram o serviço de maneira espontânea.

Segundo o relatório, os serviços de prevenção e orientação foram utilizados por 324 homens e 114 mulheres. Entre as drogas ilícitas mais usadas pelos dependentes estão o crack , seguido da maconha e cocaína. Os usuários são encaminhados para tratamento e acompanhamento no CAPS. Também são indicados para comunidades terapêuticas ou para receberem orientações por telefone, entre outros. Consta no relatório que o atendimento diurno é mais intenso que o noturno.

Repressão
De acordo com o Plano Distrital, desde o início das atividades em abril de 2011 até o final de setembro foram registradas as apreensões de três toneladas de drogas entre crack, cocaína, maconha, merla e outras, a maior quantidade já incinerada no DF. Segundo o relatório, o número representa 800 doses de drogas que deixaram de circular nas ruas. Ao todo, a quantia foi estimada em R$ 6,3 milhões.

A intensificação de cumprimento de mandados de prisão prendeu 22 traficantes que atuavam na Área Central de Brasília. De acordo com o secretário de Justiça, Direitos Humanos e Cidadania, Alírio Neto, nos últimos 60 dias foram presos 120 traficantes.

A Secretaria de Segurança Pública preparou uma operação intitulada Marco Zero para conter o tráfico e uso de crack em regiões críticas do Distrito Federal. A estratégia é dominar o território onde o crime é concentrado: o centro de Brasília, nas proximidades da Rodoviária do Plano Piloto, e em pontos conhecidos como “cracolândia” pelo elevado consumo de drogas em Ceilândia e Taguatinga. Nesses três pontos, o efetivo da Polícia Militar chegará a 1,2 mil homens, equipados com viaturas, ônibus e cavalaria.

A escolha do nome da operação Marco Zero levou em conta não só o sentido de renovação, com a limpeza dessas áreas, como também pela primeira região a ser atingida pelas medidas do governo — a área central do Plano Piloto. A zona se tornou um ambiente propício para consumo de entorpecentes que, em cadeia, provoca uma onda de outros crimes, como assalto e latrocínio (roubo seguido de morte).