Vazamento de laudo esclarecido

Até ontem à noite, os nomes das pessoas suspeitas eram mantidos em sigilo. Elas foram identificadas depois que policiais da Divisão de Repressão aos Crimes de Alta Tecnologia (Dicat) interrogaram 15 pessoas, entre elas uma estagiária de Direito do Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT), que repassou as fotografias da perícia do Instituto de Criminalística (IC) por e-mail.

Uma fonte da polícia não quis adiantar se entre os suspeitos estão funcionários do MPDFT, jurados que participaram do julgamento dos acusados de assassinar Maria Cláudia, gente do escritório de advogados ou da Vara Criminal do Tribunal do Júri, onde o processo está arquivado. Ela limitou-se a dizer: "Foi um trabalho rápido porque a divulgação das imagens na internet causaram indignação até mesmo à polícia".

Reprodução
A reprodução das imagens levada a público mostra o trabalho dos peritos do IC, quando o corpo da estudante, conhecida como Tatinha, foi encontrado debaixo da escada da casa da família Del'Isola, no Lado Sul, dia 12 de dezembro de 2004. Maria Cláudia havia sido morta três dias antes. Foi asfixiada, violentada, amordaçada e amarrada com as mãos para trás.

A promotora de Justiça, Maria José Miranda, que atuou no caso e hoje está na Vara de Execuções Criminais (VEC), lembra que o processo já transitou em julgado porque os advogados de defesa não recorreram da sentença. Ela também se mostrou indignada com o vazamento das imagens. "Não entendo qual o objetivo e porque tanta maldade", afirma.

A família de Tatinha também ficou inconformada. "Não esperávamos passar por mais uma barbárie", resumiu Cristina Del'Isola, mãe da estudante. O porta-voz da Polícia Civil, Miguel Lucena, elogiou o trabalho da Dicat, que identificou os acusados em tempo recorde. Segundo Lucena, os responsáveis pela divulgação das imagens vão responder por violação do sigilo funcional e podem pegar até seis anos de prisão.

Publicado em: 04/04/2008