Um coro de anjos para Conceição

Conheci Conceição nos anos 80, quando eu frequentava diariamente a biblioteca que ainda se chamava INL (Instituto Nacional do Livro). Sinto orgulho de ter feito parte do Coral da BDB, criado por ela. Tempos depois, fui voluntária do Projeto Tira Dúvidas, também criado por ela. Em seguida, entrei para a Associação Amigos da Biblioteca; fui convidada a dar palestras ao grupo de senhoras, que, por 25 anos, se reunia às quartas-feiras. Deliciei-me com cada edição do Bibliomúsica, Quinta sonora, Quanto vale o show, entre tantos outros projetos pensados, idealizados, criados e executados por sua infinita vontade de fazer brilhar a arte e a cultura brasiliense.

Fui frequentadora assídua dos eventos que ela promovia, entre saraus, shows – beneficentes ou não – feiras, recitais, encontros, palestras, cursos, lançamentos, oficinas, ora como aluna, ora como professora, ora como público, ora como autora, enfim, sempre que podia, eu estava lá, ou atendendo a um pedido pessoal dela ou aceitando um convite ou prestigiando um feito ou colaborando com seu magnífico trabalho.

Sou uma pessoa privilegiada e agradeço a Deus por ter tido a honra de não só conhecer Conceição, mas de fazer parte de sua roda de amigos, do seu dia a dia rico, de sua lista de convidados, de conviver com sua generosidade e capacidade de realizar coisas – grandes ou pequenas não importa – coisas boas que tanto me ensinaram e fizeram bem a tantas pessoas.

Ninguém tem dúvida de que Conceição, de aparência imponente e voz rouca, fará muita falta entre nós. A impressão é de que em algum aglomerado de gente interessado em promover, valorizar e divulgar a arte e a cultura em Brasília, vamos encontrá-la com sua costumeira sabedoria em transformar letras perdidas em versos. É difícil acreditar que ela se foi. Vai ser estranho passar pela BDB sem se lembrar da mulher que parecia incansável. Seu coração e seus pulmões não aguentaram. Então, deixemos Conceição descansar agora. Ela merece e precisa. Temos certeza deque na sua chegada ao céu, um coro de anjos vai recebê-la.
Resta-nos agora unirmos forças para continuar o trabalho que ela fazia tão bem.

Vai na paz, Conceição!

Abraço da amiga

Isolda Marinho