Vivendo "morte diária", Belfort chora em entrevista e é aplaudido

15 de janeiro de 2012 • 11h25

Belfort recebeu o carinho da esposa Joana Prado após a vitória no UFC 142; depois, o lutador chorou
Foto: Josh Hedges/Zuffa LLC/Getty Images

JOSÉ EDGAR DE MATOS
Direto do Rio de Janeiro
Vitor Belfort não escondeu a emoção durante a entrevista após a realização do UFC 142, evento disputado na HSBC Arena, no Rio de Janeiro. O lutador brasileiro, que finalizou o americano Anthony Johnson, em duelo pela categoria dos médios, relembrou a irmã, desaparecida em 2004, e chorou. A emoção do atleta rendeu aplausos de outros lutadores, técnicos e membros da imprensa presentes.

Com a voz embargada, Belfort se emocionou. “É uma morte diária para quem vive isso. Quando o filho perde os pais, é órfão; mas quando o irmão perde a irmã? Não tem palavra para descrever isso (…). Única coisa que posso dizer é que tenham fé, não desistam nunca”, disse o lutador, que entrou no octógono com um cartaz direcionado a pessoas desaparecidas, com destaque para a própria irmã.

“Quis ter solidariedade aos desaparecidos no nosso País, que são muitos desaparecidos. Muitas pessoas têm medo de fazer uma denúncia, que é muito importante. O povo tem que ser solidário. Esse esporte vai trazer uma oportunidade para levantar uma bandeira de causas que posso atingir, como neste caso”, discursou o lutador.

O drama familiar de Vitor Belfort começou em 2004, quando sua irmã Priscila foi sequestrada. A família não teve mais notícias até 2007, quando uma mulher foi presa por confessar o suposto assassinato – nunca oficialmente confirmado. Segundo a envolvida no crime, a irmã do lutador foi sequestrada para que os acusados levantassem dinheiro para pagar uma dívida com traficantes