Dengue ataca o norte do DF

Planaltina e Sobradinho são as duas cidades com mais casos da doença desde o início do ano. Com os números confirmados no Guará e no Gama, as localidades correspondem a mais da metade de registros até 9 de fevereiro


» CAMILA COSTA

Publicação: 21/02/2015 04:00

Servidores da Vigilância Ambiental fazem uma vistoria na QI 12 do Guará: atenção a tudo que possa acumular água, como tampas de bueiros, vasos de plantas e sacos plásticos

Pelo segundo ano consecutivo, Planaltina aparece como a cidade do Distrito Federal com o maior número de casos de dengue. Das 236 pessoas com diagnóstico confirmado da doença até 9 de fevereiro de 2015, 59 moram na região. Logo atrás ficam Sobradinho 2, com 21 registros, e Taguatinga, com 18 (veja mapa). O total é menor do que o do ano passado, quando houve 840 confirmações no mesmo período. Apesar da queda, um plano de ação foi elaborado pelo GDF para agir preventivamente. O Exército auxilia no combate.

Gama e Guará estão empatadas, com 14 casos cada uma. Somadas a Planaltina e Sobradinho, as localidades correspondem a mais de 53,3% (126) dos casos no DF. O perfil de incidência continua o de 2014, com mais situações em Planaltina, no Gama e em Sobradinho. Paulo Lima Machado, 46 anos, teve dengue em 2015. Morador de Sobradinho, ele e a mulher começaram a apresentar sintomas há cerca de 15 dias. “Além da febre, tínhamos dores no corpo e uma dor de cabeça muito intensa”, conta. Eles procuraram atendimento em um hospital da cidade, e o exame específico para a doença deu positivo. “Fomos orientados a controlar a febre com remédios e a repousar. Agora, estou melhor”, disse.

Exemplo
José Aparecido Miranda Oliveira, 44, chefia o Núcleo Regional de Vigilância Ambiental do Guará. Segundo ele, todos dias, os servidores visitam imóveis em busca de focos do mosquito. As visitas são feitas a cada dois meses. “Orientamos os moradores a tratar os ralos, limpar bem as calhas e jamais deixar a água parada”, ensinou. Segundo ele, em caso de larvas, são feitas a coleta e a análise em laboratório. Ele também destacou a importância de buscar ajuda em caso de sintomas da doença. “Todos os pacientes são orientados a procurarem a unidade de saúde mais próxima. Devemos trabalhar rápido para evitar a circulação local do vírus”, explicou.

Na casa de Edmar, no Guará, há areia até nas calhas: %u201CNunca tivemos dengue%u201D

O aposentado Edmar Assis Ribeiro, 74 anos, é um exemplo de conscientização. A casa dele, na QI 12 do Guará 1, é protegida contra a dengue. “Aqui, todos são orientados a não deixar garrafas abertas e baldes destampados. Colocamos areia nos pratinhos das plantas para evitar que empocem”, disse. Segundo o morador da cidade há 45 anos, ninguém da família contraiu a doença. “Nós nunca tivemos dengue. Coletamos até a água da chuva para limpar a casa, mas deixamos tudo bem tampado”, concluiu.

Aterro no Lago Sul

No Lago Sul, três bacias de contenção foram aterradas para evitar a procriação dos mosquitos transmissores na região. As bacias haviam sido abertas para solucionar um problema de captação de água da chuva. Agora, com o fechamento delas, a administração local fará um projeto para evitar os alagamentos. Segundo a Vigilância Ambiental do Lago Sul, 30 casos foram notificados na cidade. Dados da Secretaria de Saúde mostram que dois foram confirmados até a semana de 9 de fevereiro.