Violência no DF


CORREIO BRAZILIENSE – 02/4/2009

 
VISÃO DO CORREIO

 


A escalada do crime no Distrito Federal parecia haver atingido o ápice na noite de terça-feira da semana passada, quando três viciados em crack — um casal que aterrorizava a Asa Sul desde o início do ano e um adolescente — proporcionaram cinematográfica sequência de barbáries. Em quatro horas, o trio roubou oito carros em bairros nobres da capital federal, matou um motorista e feriu outro à bala, com tiros no tórax e no braço. Na ação, tiveram a ousadia, ainda, de invadir a garagem de um prédio no Sudoeste, onde largaram um Focus roubado e pegaram uma caminhonete L-200, usada para arrombar o portão de saída.

Esta semana, o brasiliense voltou a ser sacudido pela violência. Ampla reportagem do Correio descortinou um palco de exploração sexual infantil em funcionamento a cerca de 20km da Esplanada dos Ministérios. Às margens de um ribeirão da Fercal, em Sobradinho, crianças e adolescentes se prostituíam em troca de drogas. Os pagamentos podiam ser com maconha, cocaína, crack, merla, haxixe ou menos de R$ 15. Perto dali, na comunidade de Queima Lençol, junto à DF-150, problema semelhante se apresentara em 2008 na porta de um centro de ensino fundamental. Por determinação do Ministério Público, os 454 estudantes foram transferidos para Sobradinho II.

Mudar escola de lugar pode proteger um grupo mas não diminui a criminalidade — aliás, assaltos têm sido constantes nas redondezas de instituições de ensino públicas e privadas, em especial no Plano Piloto. O combate efetivo só se dará com policiamento ostensivo. É a polícia nas ruas que intimida a bandidagem e previne o crime. Nesse sentido tem clamado a sociedade. Nesse sentido promete agir agora o GDF. Ao empossar 140 agentes aprovados em concurso, o governador José Roberto Arruda desencadeou esta semana um plano para aumentar o efetivo em 1,8 mil pessoas. Na ocasião, deixou clara a insatisfação com o desempenho das forças de segurança, disse ter atendido às reivindicações da polícia e decretou: “Agora exijo uma resposta”.

O brasiliense também exige. E que seja rápida, eficiente e continuada, com tratamento prioritário. Um desafio será transpor as dificuldades impostas pela crise financeira internacional. No plano federal, o contingenciamento de recursos do Ministério da Justiça ameaça devolver o volume de recursos destinados à segurança pública ao patamar de 2006, quando o setor dispôs de R$ 1,3 bilhão, quantia praticamente igual ao corte anunciado. Além disso, é a União que paga os servidores da saúde, educação e segurança no DF. Contudo, se o quadro econômico é sombrio, é tenebrosa a violência a que estão expostos os cidadãos na capital da República. Devolver a paz à cidade e seus contornos é responsabilidade recíproca e inadiável tanto do GDF quanto do governo Lula.