Negócios na bike

Bicicleta é a aposta de muitos brasilienses para oferecer os mais variados tipos de serviço. Venda de flores, de espumante, além do transporte de documentos são algumas das opções
» AILIM CABRAL
Publicação: 08/06/2015 04:00

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Dona da Dê_Lírios Bike Shop, a artista plástica Alice faz entregas semanais de flores sempre pedalando (Carlos Vieira/CB/D.A Press)

Dona da Dê_Lírios Bike Shop, a artista plástica Alice faz entregas semanais de flores sempre pedalando

A bicicleta é um meio de transporte, um equipamento para exercício físico e um objeto de lazer. Um novo movimento, que mistura a sustentabilidade e a economia alternativa, coloca a bike como um importante instrumento de trabalho.

A paixão de algumas pessoas pela magrela acabou virando uma oportunidade de misturar lazer e trabalho, prazer e empreendimento. É o caso da professora de artes plásticas Alice Maria Duarte, 34 anos, idealizadora da Dê_Lírios Bike Shop, uma floricultura sobre rodas. Ela conta que a ideia surgiu por acaso. Em agosto, na época da seca, comprou flores frescas, montou arranjos e os colocou na cestinha de sua bicicleta. Alice seguiu para o Picnik, evento ao ar livre que ocorria no fim da Asa Norte, no calçadão próximo ao Lago Paranoá. “Queria fazer alguma coisa diferente, que me proporcionasse prazer”, diz.

No primeiro dia, a artista plástica fez poucas vendas. “Estava muito quente e o pessoal acabou não comprando, as flores murcharam.” Mas longe de desanimar, Alice ficou mais motivada. “Fiz muitas fotos e elas ficaram lindas, coloquei nas redes sociais e teve uma repercussão legal. Isso me animou a participar de outro evento”, explica. Depois do segundo evento, em que vendeu arranjos de girassol, Alice preferiu focar os serviços em encomendas e assinaturas.

Atualmente, ela completa a renda de professora com as vendas semanais. Ela prefere ficar na Asa Norte, onde mora, por uma questão de segurança, mas nos finais de semana usa o Eixão para fazer entregas mais distantes.

Sustentabilidade

Assim como Alice, o sommelier Carlos Soares, 41 anos, e a mulher dele, a representante comercial Jak Rosângela, 35, uniram paixões: os vinhos, os espumantes e a bicicleta. Em 2012, Carlos teve a ideia de democratizar as bebidas vistas como sofisticadas e criou o estande Wine Moving.

Ele levava a estrutura para feiras gastronômicas, como o Chef nos Eixos e o Picnik. Em 2014, surgiu a ideia de incorporar a bicicleta ao serviço. “As food bikes existem em outros países e estão ganhando espaço em São Paulo. Achei que seria muito legal trazer isso para Brasília e começar a incorporar essa economia sustentável na cidade”, conta.

Apesar da ascensão dos food trucks na capital, Carlos quis fugir da tendência. “Sempre levei muito em consideração essa questão da sustentabilidade, por isso nunca considerei ter um caminhão”, explica o empresário.

A bicicleta de Carlos conta com um caixote onde ficam as bebidas, que são servidas em taças de acrílico. O estande também pode ser encontrado em aberturas de exposições e eventos ao ar livre. “Trazemos a característica de levar o vinho aonde o povo está e fazemos isso de uma forma sustentável”, diz. Ele e Jak também se preocupam com a decoração da bike. Para o aniversário de Brasília, por exemplo, a magrela estava toda pintada com referência às obras de Athos Bulcão. Com a chegada da seca, o casal quer trazer o clima de cerrado para a decoração.

Agilidade

Os negócios de bicicleta são diversificados e atendem a diferentes tipos de público. Pensando nos serviços mais burocráticos, como transações bancárias e entrega de documentos, um grupo de quatro amigos criou a BSB Courier.

Acostumados a usar a bike como meio de transporte e lazer, ficaram sabendo de empresas do gênero em outras cidades. “Como a bicicleta era muito presente no dia a dia, pensamos em transformar isso em uma maneira de ganhar dinheiro nos divertindo e sendo sustentáveis”, conta o estudante Yuri Prestes Ferreira, 26 anos.

O serviço começou a ser oferecido em 2013. Com as bicicletas pessoais, os estudantes passam os dias pedalando por Brasília. Eles têm contratos com escritórios de advocacia, contabilidade, arquitetura e comunicação, entre outros. O grupo faz uma média de 30 a 40 entregas por dia e aceita serviços de pessoas físicas também. “Se alguém esqueceu uma chave em casa, por exemplo, e não pode sair do trabalho, a gente vai lá e busca”, explica Yuri.

Os amigos têm cada vez mais clientes e consideram aumentar o número de ciclistas. “Além de ser sustentável e mais barato do que serviços de motoboy, é mais rápido. O trânsito pode estar um caos que nós chegamos a tempo”, conta. Eles trabalham principalmente no Plano Piloto, mas vibram quando precisam fazer entregas mais distantes, pois aproveitam a oportunidade como treinamento para as competições das quais participam.

A coordenadora-geral da ONG Rodas da Paz, Renata Florentino, acredita que o uso da bicicleta tende a crescer na capital, tanto como meio de transporte quanto como possibilidade de negócio. “Cria oportunidades para uma economia mais sustentável, que gera empregos aliados a um futuro melhor para a cidade”, afirma

(Ed Alves/CB/D.A Press)

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Consumo consciente
O combate ao consumo exagerado foi o tema da semana do Dia Mundial do Meio Ambiente, comemorado em 5 de junho. As celebrações chegaram ao fim ontem, com um passeio ciclístico no Eixão do Lazer. A concentração ocorreu na altura da 102 Sul. Às 9h, o grupo, formado por 100 pessoa, pedalou até a 116 Sul. O evento também estimulou os participantes a darem preferência à bicicleta em detrimento do uso de carros.

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