Família de criança brasiliense faz campanha na web por doação de sangue

Família de criança brasiliense faz campanha na internet pela doação de sangue O negativo, tipo pouco comum, do qual o menino precisará em razão de uma cirurgia, no sábado.

image001

Lorenzo, 1 ano e 7 meses, filho da advogada Isaura Sarto, passará por uma operação na cabeça, para corrigir deformidade no cérebro

Lorenzo Sarto Taglialegna, 1 ano e 7 meses, tem energia de sobra. Seu crescimento, porém, esbarra em uma má formação no crânio — a craniossinostose. O cérebro e os ossos da cabeça de Lorenzo vivem em pé de guerra. Enquanto o órgão tenta se expandir, a sutura, uma das junções entre os diferentes ossos do crânio, nasceu fechada. Para corrigir a situação e evitar possíveis sequelas, a família de Lorenzo programou uma cirurgia para o próximo sábado e vem fazendo uma campanha de doação de sangue na internet, a #AjudeLorenzo, pois o principal risco do procedimento é o menino precisar de transfusão. Ele tem sangue O negativo, encontrado com menos frequência na população brasileira. Segundo a Fundação Hemocentro de Brasília, estima-se que a incidência desse tipo sanguíneo é de 4%, enquanto O positivo e A positivo, por exemplo, representam 55% e 27%, respectivamente. Pessoas com o sangue O negativo podem doar para pacientes de todos os outros tipos, porém só podem receber a mesma variedade de sangue.

O procedimento ao qual Lorenzo vai se submeter neste sábado é seguro. No entanto, o maior risco é a perda de sangue. Por isso, no último mês, a família começou uma mobilização nas redes sociais para pedir que as pessoas doem sangue. Sobretudo, quem tem O negativo, o tipo sanguíneo de Lorenzo. Como é tido como doador universal, é o tipo mais usado e um dos mais complicados de se encontrar nos bancos de sangue. “Ficamos impressionados com a corrente de solidariedade que se formou até fora de Brasília. Muita gente já doou, mas, infelizmente, esse tipo sanguíneo é difícil de encontrar”, comenta Isaura. Apesar do medo, a determinação de ver o filho crescendo bem e saudável não impõe nenhum limite aos pais.

Há pouco mais de um mês, a mãe de Lorenzo, a advogada Isaura Sarto, 34 anos, começou a notar, durante o banho, que a testa do filho estava se projetando para a frente e a cabeça dele ficando com um formato diferente. Ela não encontrava a razão. O perímetro cefálico de Lorenzo era normal. O bebê já tinha visitado vários médicos. “Como eu e meu marido temos o crânio maior, achamos que era algo de família”, conta Isaura. Quando a pediatra do menino voltou de uma licença e viu Lorenzo, recomendou à mãe que buscasse um neurocirurgião. Na consulta e com o primeiro olhar do profissional, veio o diagnóstico de craniossinostose.

Simplificando o vocabulário médico, significa que Lorenzo nasceu com uma das junções entre os ossos do crânio fechada. Assim, o cérebro luta todos os dias para encontrar um espaço e crescer. Nessa natural tentativa, o órgão já deixou pequenos buracos no osso. “O que o salvou até agora foi a caixa craniana grande da família. Caso contrário, já poderia ter sequelas”, comenta a mãe. Entre as consequências possíveis da doença, estão desde reflexos até perda de movimentos e da visão. “Tivemos sorte de descobrir a tempo antes que ele chegasse a desenvolver qualquer tipo de lesão”, afirma o pai do bebê, o engenheiro agrônomo Gustavo Taglialegna, 39 anos.

Como Lorenzo completou um ano de vida e até o momento não teve sequela por conta da má-formação, o médico deixou que os pais optassem ou não pela cirurgia. “Mas, naquele momento, fiquei pensando em tudo o que ele já desenvolveu até agora. E quem garante que nos próximos anos uma lesão não vai aparecer? Ela será sempre uma sombra. Além disso, quando for mais velho, será que ele não vai se incomodar com a questão estética?”, relembra Isaura, entre as milhares de dúvidas que passaram por sua cabeça. Nos últimos dias, alguns sinais começaram a chamar a atenção dos pais. Lorenzo começou a bater a mão na testa e se queixar, a seu modo, de dor de cabeça. “Também passou a cair no chão de repente, perder o equilíbrio e sei que isso já são pequenas lesões”, descreve a advogada. Apesar de a decisão depender da racionalidade de Isaura e de Gustavo, o lado emocional também contou. “Tinha medo de perder o que o Lorenzo me dá, como o olhar e a busca pelos pais. Se desenvolvesse qualquer tipo de sequela, poderia perder isso e ficar sem o jeitinho único de cada um”, justifica Isaura.

Mutação
O volume cerebral do ser humano cresce muito rápido. De acordo com os médicos, chega a dobrar até os 6 meses de idade. “A craniossinostose é um defeito congênito que pode atingir uma em cada 4 mil crianças. Essa emenda entre os ossos fecha antes da hora e o cérebro quer crescer forçando as estruturas, o que causa a deformidade na cabeça”, explica o neurocirurgião pediátrico e neurologista Benício Oton de Lima. Segundo ele, as duas consequências principais da doença são a deformidade estética, que na adolescência e na vida adulta pode gerar bullying, e o dano cerebral. “Mas não quer dizer que vá acontecer. Pode ser que outras suturas permitam que o cérebro mais ou menos se acomode”, ressalta o médico.

Em casos de cirurgia, como o de Lorenzo, Benício alerta que apesar de os resultados serem melhores nos primeiros anos de vida, há o risco da perda de sangue, por isso o cuidado com a transfusão. “Os bebês que são operados antes do primeiro ano de vida correm o risco de ter um dano cerebral quando mais velhos. Quando a criança é mais velha, o dano que ela poderia ter já desenvolveu, então a cirurgia vai corrigir apenas o formato”, explica.

Doações
A Fundação Hemocentro de Brasília realizou, em 2014, 76.566 procedimentos de triagem clínica de candidatos à doação, na qual 74% foram considerados aptos e 26% inaptos. Até julho de 2015, foram registrados 45.187 procedimentos de triagem clínica de candidatos à doação.

#AjudeLorenzo

Local da doação: SHLS 716, Bloco C, Entrada B (ao lado do Hospital Santa Lúcia). Paciente: Lorenzo Sarto Taglialegna (1 ano e 7 meses).Data da cirurgia: 3/10.Doação pode ser feita até a véspera da cirurgia. Para informações sobre a doação e o agendamento, ligue: 3346-9788.

O Hemocentro funciona de segunda a sábado, das 7h às 18h. Para doar basta comparecer com documento oficial com foto, ter entre 18 e 69 anos (menores de 18 anos, apenas com autorização do responsável legal), pesar mais de 50kg e estar com boas condições de saúde. O candidato ainda passará por processo de triagem antes de ser considerado apto.

Site: www.correiobraziliense.com.br