Preços de remédio variam até 514%

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O levantamento avaliou os valores oferecidos nas prateleiras de 30 farmácias do Distrito Federal: variação em cada estabelecimento tem relação com aluguel, estoque e ICMS

O brasiliense deve redobrar a atenção ao comprar medicamentos na capital federal. O preço do mesmo remédio pode variar até 514% entre as farmácias. Os genéricos, normalmente a melhor opção, são os que mais aparecem na lista de discrepâncias, segundo levantamento do Instituto de Ciência, Tecnologia e Qualidade Industrial (ICTQ), a que o Correio teve acesso com exclusividade. O governo federal regula o teto máximo que os comerciantes podem cobrar do consumidor, mas, para especialistas, o caminho é pesquisar, procurar similares e ampliar as alternativas de marcas, laboratórios e drogarias.

Das 30 farmácias analisadas, entre grandes redes e de bairros, o analgésico Tylenol 750mg, por exemplo, chegou a custar R$ 23,05 a mais em relação àquela que oferecia o menor preço (veja Calote no consumidor). Para os pesquisadores, as variações são explicadas pelo valor agregado ao medicamento. “O endereço comercial pode interferir no custo com aluguel, e essa despesa é repassada para o consumidor final. Impostos como o ICMS (Imposto Sobre Circulação de Mercadorias e Serviços) também estão incluídos”, explica o diretor técnico do ICTQ e responsável pela pesquisa, Marcus Vinícius Andrade.

“Não tenho vergonha de pechinchar. Pesquiso, procuro o mais barato e tento levar mais quantidade para conseguir um preço menor”Moacir Franco, 44 anos, representante comercial No DF, 49% preferem as farmácias menores, enquanto 48% dizem frequentar as grandes redes — essas últimas conseguem comprar medicamentos mais baratos dos laboratórios, pois a remessa é volumosa. Porém, as drogarias de bairro têm maior facilidade de fidelizar o cliente. “As farmácias mais simples não conseguem oferecer o mesmo desconto que as gigantes do setor, mas o atendimento de qualidade e a convivência são diferenciais. Além disso, a proximidade de casa é um fator difícil de vencer. As grandes marcas, geralmente, estão presentes apenas nos centros das cidades”, afirma o presidente do Sindicato do Comércio Varejista de Produtos Farmacêuticos (Sincofarma-DF), Francisco Messias Vasconcelos.

Fiscalização

O comércio de medicamentos obedece a três regras básicas estabelecidas pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa): o Coeficiente de Adequação de Preços (CAP), que é o desconto mínimo obrigatório de 24,38 %; o Preço de Fabricante (PF), ou seja, o valor praticado pelas empresas produtoras, importadoras e distribuidoras; e o Preço Máximo ao Consumidor (PMC), o praticado pelas farmácias. O cálculo se baseia no Imposto Sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS). No DF, o índice é de 17%.

Quem descumpre a regra é multado em até R$ 3,1 milhões. Desde 2003, cerca de mil farmácias foram autuadas pela Anvisa. “O consumidor é o principal agente de fiscalização. Quando recebemos a denúncia, é aberto um processo administrativo para verificar a irregularidade. Existe um monitoramento ativo com cruzamento de dados para evitar abusos”, ressalta o secretário executivo da Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (Cmed), Leandro Safatle.
A última alteração no preço dos medicamentos ocorreu em março, após a mudança de critérios anunciada pelo Ministério da Saúde, em conjunto com a Anvisa. O reajuste do teto máximo chegou a 6% e atingiu 9.120 produtos nas prateleiras das drogarias.
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