Líder de invasões de hotéis é preso por extorsão e organização criminosa

Além dele, mais seis são suspeitos do mesmo crime. Três estão foragidos

Nathália Cardim /
A Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) prendeu na manhã desta terça-feira (1/12), pelo menos sete pessoas suspeitas de extorsão ligadas ao Movimento de Resistência Popular (MRP), uma dissidência do Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto (MTST). A “Operação Varandas” começou nas primeiras horas do dia e é comandada pela Delegacia de Repressão ao Crime Organizado (Deco). Agentes cumpriram mandados de prisão por organização criminosa. Três pessoas estão foragidas. Pelo menos um dos envolvidos também é suspeito de homicídio.
image002Ed Alves/CB/D.A PressEdson Francisco da Silva, líder do MRP, é um dos presos na operação desta terça-feira (1º/12)

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Um dos cabeças do esquema é Edson Francisco da Silva, líder do MRP. Ele e a mulher, Ilka da Conceição Carvalho, estão entre os presos. As investigações apontam que o grupo se aproveitava financeiramente de famílias beneficiadas por auxílio aluguel de até R$ 600.

Inicialmente, as famílias tinham de pagar R$ 50, mas, segundo a polícia, o valor cobrado atualmente era de R$ 300. Os suspeitos coagiam as vítimas dizendo que iriam tirá-las da lista dos beneficiados e que tinham influência no GDF para tal.
image003Gustavo Moreno/CB/D.A PressItens apreendidos com os presos. Entre eles, há armas de fogo e uma espada
Segundo o delegado-chefe da Deco, Luiz Henrique Sampaio, Edson se cercou de guarda-costas. Alguns, com ficha criminal, para praticar as extorsões. Um deles é Edmílson Gonçalves do Nascimento, suspeito de ter assassinado uma pessoa na semana passada. O crime, no entanto, não teria ligação com a atuação do grupo.

Edson chegou a integrar MTST, mas após brigas, decidiu montar o novo grupo. “As denúncias começaram a surgir a partir da recusa de algumas famílias em fazer as contribuições exigidas por ele”, contou o delegado.

Quatro armas de fogo, uma espada, uma algema, munição, um Corolla 2015, avaliado em R$ 85 mil; e R$ 26 mil, em dinheiro, foram apreendidos com os detidos. Se condenados, os envolvidos podem pegar até 30 anos de prisão.

Endereços

Ao longo de 2015, integrantes do Movimento Resistência Popular pelo Direito à Cidade (MRP) ocuparam cinco endereços diferentes. Em setembro, passaram uma semana em frente ao Ministério das Cidades e mais de dois meses no estacionamento da Secretaria de Agricultura, à margem do Eixão Norte, em barracas de lona.

Após serem retirados da área pública pela Polícia Militar, em uma operação surpresa, os sem-teto aproveitaram um bloqueio judicial que determinou o fechamento do St. Peter Hotel, no Setor Hoteleiro Norte, e tomaram conta do prédio, permanecendo no empreendimento por oito dias. Donos do edifício alegavam que o prédio havia sido recém-reformado e estava quase pronto para reabrir. Foi necessário acionar a Justiça e cortar água e luz, na tentativa de obrigar os manifestantes a saírem por conta própria.

O GDF preferiu não entrar em confronto, e, mesmo com autorização judicial, preferiu não retirá-los à força. Após negociações, os sem-teto firmaram acordo com o Executivo e foram transferidos para o Clube Primavera, em Taguatinga, comprometendo-se a não edificar ou desmatar a região. Os termos foram desrespeitados e, menos de um mês após a mudança, foram retirados em operação da PM, em 20 de outubro. No total, 56 construções irregulares foram removidas na área do clube, também abandonado.

O último ponto ocupado foi o Torre Pálace Hotel, no Setor Hoteleiro Norte, onde parte do grupo ainda permanece. Na manhã desta terça-feira (1º/12), Polícia Civil fez buscas no local.

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