Casos de dengue crescem 883% no Distrito Federal

Otávio Augusto

A capital federal registrou 305 notificações, ante 31 do último levantamento
Em uma semana, os casos de dengue no DF aumentaram 883%. A capital federal registrou 305 notificações, ante 31 do último levantamento. Os dados constam no mais recente Boletim Epidemiológico divulgado nesta quarta feira (20/1). Brazlândia registrou 40% dos casos. O volume é 18.21% maior do que os registrados no mesmo período de 2015, quando houve 258 infecções. O documento mostra que, até o último dia 18, a Secretaria de Saúde notificou 10 suspeitas de zika vírus. Contudo, apenas três estão confirmados — duas gestantes do DF e uma de Santo Antônio do Descoberto, município a 40km de Brasília. Houve, ainda quatro suspeitas de febre Chikungunya e uma confirmação.

Ceilândia, Planaltina e São Sebastião compõe o ranking regiões onde mais se registrou infecções de dengue. Os dois registros de zika em moradores da capital federal teriam ocorrido em Serra do Ramalho (BA) e Barra do Garça (MT). O DF possui apenas um caso contraído na capital federal. Na ocorrência de chikungunya, o paciente é morador do DF, mas a contração ocorreu em Belo Jardim (PE).

Infestação
Varjão, a 14km do Plano Piloto, está com 7,69% da cidade tomada pelo Aedes aegypti, segundo o Índice de Infestação Predial (IIP), como mostrou o Correio mostrou na edição de terça-feira. Os dados obtidos com exclusividade pelo Correio apontam a Asa Norte (3,48%), o Lago Sul (2,46%), o Lago Norte (1,48%) e Vicente Pires (1,4%) como regiões onde a situação é de alerta para a dengue, a febre chykungunya e o zíka vírus. Em todo o DF, a média de 0,25% é considerada razoável.

As taxas inferiores a 1% são consideradas satisfatórias; de 1% a 3,9%, em situação de alerta; e superior a 4% há risco de surto de doenças transmitidas pelo Aedes, segundo o Ministério da Saúde. Cerca de 500 servidores atuam na prevenção, mas seriam necessários 1,3 mil.

Casas fechadas no Entorno
O número de imóveis fechados no Entorno do Distrito Federal é um dos desafios para conter o avanço do Aedes aegypti. Os agentes ambientais se depararam com mais de 19 mil imóveis fechados em 12 municípios próximos à capital federal — a média de imóveis que não receberam as ações de limpeza para retirada de focos nessa região é de 40%. Os maiores índices de domicílios fechados está em Valparaíso de Goiás (72,54%), Planaltina de Goiás (67,44%), Cidade Ocidental (65,46%), Luziânia (49,86%), Santo Antônio do Descoberto (47,40%) e Águas Lindas de Goiás (35,5%).

Combate

Para conter os números, o GDF recorreu à ajuda de duas empresas que cederam a biolarvicida Bacillus thuringiensis israelenses (BPI), bactéria que ataca as larvas, e filhotes de lambaris (alevinos), peixe predador do inseto. As novas técnicas de combate tiveram custo zero aos cofres públicos, pois as empresas fizeram doações.

As primeiras regiões a receberem a novidade são: Santa Maria, Gama, Brazlândia, Lago Norte, Plano Piloto e Planaltina. Em duas semanas, o GDF deve anunciar uma terceira técnica. A Emater está produzindo sementes de crotalária. A planta atrai a libélula, que põe seus ovos em água parada e limpa, como o Aedes. Quando as larvas nascem, elas se alimentam umas das outras.

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