Distritais derrubam veto que proibia remédios derivados do canabidiol

O remédio, derivado da maconha, é visto como saída alternativa a pacientes epiléticos

image001 (2)Guilherme Pera , Bruno Lima – Especial para o Correio /
Crédito: Guilherme Pera/CB/D.A PressSabrina, que tem epilepsia desde os 4 anos: melhoras após o uso da substância, segundo a mãe, Patrícia (E)

A Câmara Legislativa derrubou o veto do governador Rodrigo Rollemberg (PSB) ao projeto que inclui o canabidiol e outros medicamentos na lista de medicamentos distribuídos gratuitamente pela Secretaria de Saúde para o tratamento de epilepsia. O remédio, derivado da Cannabis sativa, mesma planta da maconha, é tido como saída alternativa a pacientes epiléticos que não podem passar por cirurgia. Pais e mães de pacientes afirmam que a liberação representa a oportunidade para quem não pode pagar — uma seringa custa quase R$ 1 mil. GDF afirma que a prioridade será assegurar o tratamento pela rede pública.

Não são todas as pessoas epiléticas que precisam de canabidiol. A psicopedagoga Luiza de Paula Lima, 51 anos, por exemplo, ficou curada após passar por procedimento cirúrgico em 2005, um ano após começar a sentir os sintomas. Apesar do tempo relativamente curto de batalha contra a doença, em comparação com outros pacientes, ela dedicou o tempo depois a ver o Distrito Federal com um programa de atendimento pela rede pública. “Depois que me curei, comecei a me dedicar a ajudar as pessoas que batalhavam para serem atendidas, mas não conseguiam pagar. Ver um projeto aprovado desse jeito, depois de tanto tempo, representa um avanço inimaginável”, disse.

Uma das usuárias regulares do canabidiol no DF é a estudante Sabrina Azevedo, 9 anos, diagnosticada com epilepsia desde os 4. Até começar a tomar o medicamento, no começo de 2015, a menina vivia de cama. “A Sabrina tinha até 30 convulsões por dia. Só ficava em casa, não podia nem estudar. O canabidiol melhorou a fala, a percepção e agora ela está aqui, em pé e contente”, relatou a mãe, a dona de casa Patrícia Azevedo, 35, que recorreu à Justiça para conseguir o remédio. “Consegui seis seringas e ela está bem. A derrubada do veto, para mim, significa a garantia de que ela vai conseguir receber mais”, afirmou.

Site: www.correiobraziliense.com.br