Morte de três cães após ataque de abelhas assusta moradores do Guará

O corpo de bombeiros registrou um aumento de 66% na captura e extermínio de insetos no DF, em 2015

postado em 23/03/2016 06:03 / atualizado em 23/03/2016 08:04
Camila Costa
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O enxame responsável pela morte de três cachorros e pelo ataque a um morador no conjunto I-H da QE 42 do Guará 2 foi retirado na noite da última segunda-feira pelo Corpo de Bombeiros do DF. Parte dos insetos foi morta com a ação, mas algumas abelhas continuam no local da colmeia. Segundo os moradores, há cerca de dois anos o enxame foi retirado e de nada adiantou. Aos poucos, elas voltaram e formaram um novo abrigo. Quem mora próximo do local em que ficava o enxame continua com medo, principalmente, por conta das crianças. Somente na casa onde os cachorros estavam na hora do ataque moram 14 crianças. O corpo de bombeiros registrou um aumento de 66% na captura e extermínio de insetos no DF, em 2015 — comparado com o ano anterior. Na maioria, abelhas.

Além de dolorida e desagradável, a picada causa inchaço, vermelhidão e dores na região afetada e, nos piores casos, quase sempre de pessoas com quadros alérgicos, pode levar à morte. No último fim de semana, as vítimas foram três cachorros e um homem adulto, na QE 42 do Guará 2. Moradores dos conjuntos I e H sempre temeram um problema maior. O homem resistiu às ferroadas (uma no olho esquerdo), porém, os animais, não. “Os meus bichinhos tinham ido tomar banho na casa do meu irmão. Quando vi, eles estavam no meio da rua, sendo atacados. Estou desolada, não me recuperei ainda, pois moro sozinha e eles eram tudo pra mim”, lamenta a dona de casa Flávia Daniele da Silva, 39 anos.

Situações de ameça

Os cachorros — Hulk, 3 anos, Badock, 9 meses, e Spack, 4 anos —foram socorridos em um hospital veterinário ainda no domingo. Chegaram cegos e com hemorragia. Segundo Flávia, os cães engoliram muitos insetos. “A sorte é que meus filhos não estavam aqui na hora. Quando voltei, o ataque começou”, conta Isabel Cristina Nascimento, 34, moradora da casa onde está o poste de luz com o foco do inseto.

Isabel mora com os três filhos e sobrinhos, totalizando 14 crianças. “Não sei se agora vão dar fim a essa situação. As abelhas nunca vão embora de vez. Acho que tinha que tirar o poste”, observa. Para a supervisora Cristina Aparecida Nascimento, 43, também moradora da casa, o perigo é ainda maior. “Meu filho mais velho tem alergia. Se ele for picado, morre”, alerta. Segundo o Corpo de Bombeiros, nenhum chamado foi registrado referente àquela região. O indicado por eles é que a ligação seja feita para ser transformada em uma ocorrência. Somente após esse processo, uma equipe vai ao local para avaliar a situação e tomar as medidas cabíveis.

Apicultor há mais de 10 anos, Djamil Pinho Alves, 57, atende, por mês, uma média de 15 chamados. “Normalmente, (as abelhas)estão sempre em telhados e caixas de energia”, conta. Segundo o especialista, os ataques de abelhas acontecem apenas em situações de ameaça aos insetos. “Normalmente, não avançam no homem. O problema é quando passa muito próximo ou movimentam o local”, explicou. O veterinário e apicultor que atendeu aos bichos no fim de semana, Oliver Macedo, afirmou que não teve como salvar os animais. Os cachorros tiveram uma parada cardiovascular. “Tem certos tipos de cheiros que irritam as abelhas, como o de xampu, por exemplo. Outra possibilidade é o cachorro ou alguém ter pisado ou matado uma abelha e as outras terem atacado por conta do veneno, o feromônio. E, se ocorrer uma situação como essa, o mais indicado é correr e se esconder”, alerta.

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