Alerta para o vírus H1N1

O Distrito Federal registrou cinco pessoas com influenza este ano, mesmo fora do período em que a gripe começa a agir. Secretaria afirma que não há razão para alarde, mesmo que um surto seja considerado. No ano passado, não houve casos na cidade.

A 85 dias do início do inverno, especialistas e autoridades sanitárias estão em alerta para o vírus H1N1. A praga assustou o mundo em 2009 e neste ano começou a fazer vítimas antes do período em que comumente ocorre o aumento dos casos. Na capital federal, cinco pessoas estão infectadas com o micro-organismo causador da gripe suína. A incidência cresceu 66% no comparativo com os registros de 2014 — último período em que a Secretaria de Saúde notificou situações da doença. Naquele ano, houve três casos em moradores da cidade. Não houve registros em 2015. Outros seis estados apontaram contágios.

Além do H1N1, outros subtipos virais da gripe têm contaminado brasilienses. Existem três tipos de influenza: A, B e C. Os do subtipo A são ainda classificados de acordo com a formação das enzimas neurológicas e sanguíneas — por exemplo, H3N2 e H7N9 (gripe aviária). Nos últimos quatro anos, 124 pessoas tiveram algum tipo de gripe com complicações, segundo informes epidemiológicos da Secretaria de Saúde (veja Alerta). Em 2015, por exemplo, houve seis notificações em Taguatinga, na Estrutural, em Ceilândia e em Santa Maria. A gripe só é de notificação compulsória (obrigatória) quando há agravos no quadro clínico do paciente.

A Secretaria de Saúde não descarta um surto de gripe, mas minimiza o problema. Até o momento, de acordo com a Gerência de Vigilância Epidemiológica e Imunização (Gvei), os vírus se comportam com “perfil semelhante” aos de anos anteriores. “O monitoramento está sendo feito de forma mais minuciosa. Investigamos todos os casos, com atenção aos diagnósticos”, garante Juliana Soares de França, coordenadora da Gvei. As investigações que já estão concluídas apontam que duas das cinco infecções ocorreram no Riacho Fundo e no Gama.

O Ministério da Saúde programou para 30 de abril o início da campanha nacional de vacinação. A pasta regional do setor garante que essa é a melhor forma de frear o avanço das doenças, sobretudo do H1N1. “Precisamos que as pessoas procurem a imunização. Após o Dia D da vacinação, o serviço ficará disponível até 20 de maio, em todos os postos e centros de saúde”, destaca Juliana.

No ano passado, o Executivo local se viu obrigado a prorrogar o prazo de vacinação. Apenas 57% do público-alvo — crianças até 5 anos, gestantes, portadores de doenças crônicas e idosos acima de 60 anos — haviam procurado os postos de imunização durante o período. No fim da campanha, 523.452 pessoas receberam doses da vacina. Segundo a Secretaria de Saúde, 93,5% dos idosos se vacinaram em 2015. Já os grupos de crianças e gestantes não atingiram a meta de pelo menos 80%. Em 2009, a Secretaria de Saúde registrou 10 mortes e 668 casos confirmados de H1N1.
Precaução

São Paulo, Santa Catarina e Goiás também registraram casos da doença. Juntas, as três unidades da Federação contabilizam pelo menos 44 mortes (leia Para saber mais). O motivo de o vírus ter começado a circular pelo país quase dois meses antes do esperado — com temperaturas mais baixas — ainda não está claro. Entretanto, pesquisas mostram que a formação genética do influenza tem mudado a cada epidemia sazonal.

Ricardo de Melo Martins, especialista em infecções respiratórias e professor da Faculdade de Medicina da Universidade de Brasília (UnB), explica que a antecipação dos contágios obriga a Saúde a agir com rapidez, uma vez que a população está vulnerável. “A vacina é programada pela data de disseminação. É um momento difícil, a população não está protegida. Além disso, a higiene é fundamental”, ressalta.

Os sintomas são semelhantes aos causados pelos vírus de outras gripes. No entanto, requer cuidados especiais a pessoa que apresentar febre alta (acima de 39ºC), vômitos e diarreia. “É na emergência médica que vai ser feita a detecção da doença. A pessoa fica muito comprometida. Quanto tratada corretamente, as chances de cura são grandes”, detalha Ricardo, ao esclarecer que os atingidos pelo H1N1 não se tornam imunes à doença. O Ministério da Saúde não comentou a situação deste ano e também não informou a quantidade de vacinas em estoque.

Colapso em 2009
O maior número de casos de contaminação pelo vírus influenza A/H1N1 ocorreu em 2009, quando o Laboratório Central (Lacen-DF) analisou 1.686 resultados de exames de pesquisa para micro-organismo. Entre eles, 670 foram confirmados para a H1N1 na capital federal. Grupos de risco, como grávidas, idosos e crianças com menos de 2 anos,
foram incluídos em campanhas de vacinação.
Público deve buscar a
imunização a partir de abril (Marcelo Ferreira/CB/D.A Press – 18/1/13 )

Público deve buscar a imunização a partir de abril

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Cronologia

Ao longo da história, ocorreram
importantes pandemias de gripe

Gripe Espanhola, de 1918 a 1920
50 milhões de mortos

Gripe Asiática, de 1957 a 1960
4 milhões de mortos

Gripe de Hong Kong, de 1968 a 1972
2 milhões de mortos

Gripe Russa, de 1977 a 1978
1,5 milhão de mortos

Gripe Influenza Pandêmica,
em 2009 e 2010
25 mil mortos

Alerta

Além do H1N1, há outros variantes da doença causada pelo vírus influenza. Os casos só são notificados quando há complicações no quadro clínico do paciente. Confira os registros do micro-organismo no DF:
Ano Casos
2012 51
2013 41
2014 26
2015 6

Fonte: Informe epidemiológico de doenças de notificação compulsória da Secretaria de Saúde.

Para saber mais
Surto em São Paulo
Após detectar o surgimento de casos de gripe H1N1 no noroeste paulista, a Secretaria da Saúde do Estado de São Paulo antecipou a campanha de vacinação o vírus. Ao todo, 67 municípios registraram casos da doença. No Brasil, em 2015, foram registrados 141 casos de gripe provocados pelo H1N1 — 36 pessoas morreram. Neste ano, em três meses, só no estado de São Paulo, 260 pessoas foram infectadas pelo vírus e 38 já morreram. No domingo, a Vigilância Epidemiológica de Blumenau (SC) confirmou duas mortes por H1N1 na cidade. São as primeiras registradas no estado neste ano. As vítimas são uma mulher de 50 anos e um homem de 42. Em Rio Verde (GO), sete pessoas estão com a infecção e outras quatro morreram. Rio de Janeiro, Mato Grosso e Alagoas também notificaram casos suspeitos.

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