Padre é afastado de igreja por violência sexual contra adolescente do DF

A vítima, que mora em Brasília, sofre de retardo mental moderado e foi atacada na sauna de um clube de Caldas Novas, em Goiás

postado em 07/06/2016 06:10 / atualizado em 07/06/2016 10:16
Luiz Calcagno
Muito apático e tranquilo para alguém que estivesse sendo acusado injustamente de algo tão grave. Essa é a descrição feita pela delegada Sabrina Leles sobre o padre de 28 anos suspeito de abusar sexualmente de um adolescente de 15 em um clube de Caldas Novas, a 307km do DF. A vítima, que mora em Brasília, sofre de retardo mental moderado e foi atacada na sauna do local. Segundo a titular da Delegacia de Atendimento à Mulher e de Proteção à Infância e Juventude do município goiano, o laudo psicológico a que os profissionais da área submeteram o garoto não deixa dúvidas sobre o crime, ocorrido no último sábado.

A Polícia Civil goiana também apreendeu o celular do acusado, que contém diversos textos e mensagens pornográficas, incluindo fotos do sacerdote em atos libidinosos. O aparelho passará por uma perícia. “Eu não me choco com as atitudes desse tipo de autor. Infelizmente, pegamos muitos casos desse. A postura apática dele, no entanto, não é a que se espera de alguém que responde uma acusação como essa”, reforçou.

Pouco antes do abuso, a mãe e duas amigas cuidavam do garoto em uma piscina do clube. Uma das mulheres disse que iria à sauna feminina, e o menino pediu para ir à masculina. A mãe deixou, desde que ele não demorasse. Minutos depois, o jovem voltou transtornado, pedindo para ir embora. Dizia que estava com medo e que precisava “escovar os dentes”. Agitada, a mãe o levou para um reservado e perguntou o que tinha acontecido. Com esforço, ele relatou o abuso.

Segundo a delegada, o adolescente só conseguiu repetir a versão na delegacia. “Quando ele entrou na sauna, o padre já estava lá com uma terceira pessoa, que não tem relação com o fato. Esse senhor saiu, e o sacerdote e a vítima ficaram a sós. Então, o acusado levantou-se e foi até o menino. Puxou conversa e perguntou o nome e a idade, entre outras coisas. Inicialmente, o jovem respondeu, mas não quis mais falar com o estranho. Quando se levantou para sair, o padre segurou a porta e disse que ele só sairia se fizesse o que ele queria”, detalhou Sabrina.

Consternada, a mãe percorreu o clube de mãos dadas com o filho e encontrou o suspeito em uma mesa, bebendo com amigos. “Ela começou a perguntar por que ele tinha feito aquilo. Desde aquele momento, a postura dele foi apática. Ele não negava, mas também não dizia nada”, conta a delegada.

A administração do local levou a mãe e o filho para uma sala, o padre para outra e acionou a Polícia Militar goiana. Quando os PMs chegaram, o menino não conseguiu repetir a história, mas o sacerdote confirmou que esteve com ele na sauna. Diante disso, a equipe os levou para a delegacia. “Quando conversamos, o padre disse que percebeu que o garoto era deficiente. Assumiu ser homossexual, o que se confirmou pelas imagens no celular. Ele é padre. Não se espera que tenha relacionamentos sexuais. Os palavrões e as conversas com terceiros registradas no aparelho, que tenho vergonha de repetir, demonstram uma atitude diferente do que se espera de um religioso”, aponta a delegada.

A Igreja Católica afastou o padre, ordenado em dezembro de 2013, por tempo indeterminado. Ele atuava na paróquia de Frutal, em Minas Gerais. As informações foram divulgadas em uma nota no site da Arquidiocese de Uberaba. “Como Igreja, repudiamos todo tipo de violência e abuso, nos mais diferentes níveis; e sentimos as dores daqueles que sofrem, principalmente quando envolve um dos nossos representantes. Informamos, também, que o referido padre foi privado do ‘uso de ordens’, ou seja, não tem jurisprudência para presidir ou administrar qualquer sacramento.”

Além disso, a Arquidiocese se desculpou. “Pedimos perdão por qualquer constrangimento ou dor que pudemos causar com tal fato e esperamos que tudo seja averiguado e resolvido o mais rápido possível”, conclui a nota.
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