Caxumba provoca corrida aos postos

Até abril, mais de 17 mil brasilienses procuraram a vacina contra a doença. Segundo a Vigilância Epidemiológica, há risco de epidemia no Distrito Federal

» OTÁVIO AUGUSTO
Publicação: 16/06/2016 04:00

image001Maria Regina levou a neta Gabriela ao posto de saúde da 612 Sul:

Maria Regina levou a neta Gabriela ao posto de saúde da 612 Sul: “Melhor prevenir do que remediar”
O brasiliense começa a procurar proteção contra a caxumba, doença que infectou 525 pessoas neste ano. A Secretaria de Saúde disponibiliza doses da vacina de acordo com o Programa Nacional de Imunização (PNI) do Ministério da Saúde. Até abril, 17,7 mil pessoas receberam a defesa. Ontem, a movimentação no Centro de Saúde Nº 7, da 612 Sul era grande, em busca de informações. A Vigilância Epidemiológica monitora a situação e não descarta a possibilidade de epidemia. Em um colégio da quadra, pelo menos 10 alunos tiveram a infecção. Outros dois contraíram coqueluche — mal sob controle, segundo autoridades sanitárias.

Na próxima semana, o Executivo local deve receber outras 8,5 mil doses da vacina Tríplice viral, que combate o sarampo, a caxumba e a rubéola. O montante deve abastecer o estoque de 12 mil unidades da Secretaria de Saúde. “A cobertura vacinal para a caxumba atinge 95%. Esse índice é muito bom. Todos os locais com surtos estão sendo acompanhados. Em escolas, por exemplo, realizamos até a imunização. É um momento de extrema atenção, mas não necessita alarde”, explica a gerente de Vigilância Epidemiológica, Priscilleyne Reis.

Para diminuir os riscos de contrair a doença, a estudante do 7º ano Isabella Gertrudes, 12 anos, esteve no Centro de Saúde Nº 7, da 612 Sul. A avó dela, a contadora Suely Wanderley, 56, está assustada e procurou a imunização. “É preciso a Secretaria de Saúde explicar o motivo de a doença ter voltado com essa intensidade. Houve falhas na vacinação? O vírus mudou? A gente fica preocupada com essa situação”, reclama a moradora do Lago Sul.
image002Suely, com a neta Isabella, está preocupada com a situação (Helio Montferre/Esp. CB/D.A Press)

Suely, com a neta Isabella, está preocupada com a situação

A vacina leva até três semanas para começar a produzir anticorpos. Por isso, segundo a Secretaria de Saúde, nos próximos dias, deve haver o aumento dos casos. “Não temos alternativa no momento a não ser a vacinação. Os pais devem manter a carteira de vacinas atualizada. Aqueles que perderam o cartão ou não sabem se foram imunizados devem procurar o posto de saúde mais próximo”, alerta Priscilleyne. Adolescentes e adultos também têm direito à vacina (leia Imunização).

A professora aposentada Maria Regina de Paula, 62, levou a neta Gabriela, 1, para atualizar a tabela de vacinas. “O que continua valendo é o velho ditado: melhor prevenir do que remediar. A situação parece estar emergente e ainda não há explicações para o aumento dos casos. Fico temerosa, pois tenho outros netos em idade escolar”, conclui a moradora de Santa Maria.

Por volta das 17h, horário de fechamento das salas de vacinação, ainda havia gente esperando para se imunizar no Centro de Saúde Nº 7, da 612 Sul. Muita gente procurou o local em busca de informações. “Quando há muitos casos de uma doença sempre aumenta o volume de gente aqui. A comunidade está em alerta para a caxumba e também para os recentes casos de coqueluche”, informou uma enfermeira.

A caxumba, doença caracterizada principalmente pelo inchaço das glândulas que produzem saliva, pode ser contraída mais de uma vez, mesmo quando ocorre a vacinação ou a primeira contaminação. Entretanto, esses casos são bastante raros. Segundo a literatura médica, um indivíduo pode registrar mais de uma ocorrência de coqueluche, infecção marcada por tosse severa e seca, embora sejam situações isoladas.

“Situação de rotina”
A Secretaria de Saúde ressalta que, em 2016, houve a notificação de 44 casos de coqueluche — seis estão confirmados. Entre 2006 e 2015, a doença infectou 682 vítimas no DF. Apesar do registro de duas ocorrências no Colégio Marista, a Vigilância Epidemiológica ainda não constatou a contaminação. “A situação para a coqueluche é de rotina. Estamos dentro do esperado”, destaca a gerente de Vigilância Epidemiológica. Neste ano, segundo cálculos da Secretaria de Saúde, 9,8 mil gestantes receberam doses da vacina Adsorvida difteria, tétano e coqueluche tipo adulto (dTpa).

O Brasil registrou uma elevação do número de casos de coqueluche. O que coloca o mal como uma infecção reemergente, segundo classificação da Organização Mundial da Saúde (OMS). Entre 2014 e o ano passado, a doença cresceu 544,7%. Passou de 340 para 2.192 situações, de acordo com dados do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan) do Ministério da Saúde. No ano passado, houve a identificação de 117 situações no DF.

Marta Pereira de Carvalho, especialista em doenças imunopreveníveis, explica que com o passar do tempo a produção de anticorpos cai mesmo quando ocorre a imunização. “A vacina vai perdendo eficácia. A partir dos 50 anos, o ideal seria que os adultos fossem vacinados contra tudo novamente. Vacina não é eterna. O programa de vacinação do Brasil é muito focado na criança, mas, para os adultos, poucas são as ofertas”, avalia.

Imunização

Veja as vacinas e os períodos de aplicação das doses contra caxumba e coqueluche

Pentavalente: aos 2, 4 e 6 meses, contra difteria, tétano, coqueluche, meningite e outras infecções causadas pelo Haemophilus influenza tipo B, hepatite B. Reforços aos 15 meses e aos 4 anos.

Tríplice viral (SRC): aos 12 meses, é recomendada a primeira dose contra sarampo, rubéola e caxumba. Adolescentes e adultos até 49 anos também devem tomar.

Tríplice bacteriana: aos 15 meses, a imunização é contra difteria, tétano e coqueluche. Aos 4, é aplicado o reforço.

Tetraviral e varicela: imunização aos 15 meses, contra sarampo, rubéola, caxumba e varicela (catapora). Funciona como reforço da tríplice viral e dose única para catapora.

Vacina Adsorvida Difteria, Tétano e Coqueluche tipo adulto (dTpa): dose da vacina a partir da 27ª semana e até a 36ª semana de gestação. (confirmar com o médico)

Fonte: Ministério da Saúde
Site:www.correiobraziliense.combr