Casos de meningite crescem 75% no DF

Nos primeiros meses de 2016, houve 14 infecções e seis mortes. Desde que a vacina passou a ser disponibilizada no SUS, a doença vinha numa tendência de queda. Mas a Vigilância Epidemiológica nega que haja surto. Em 2017, haverá mudança na imunização

» OTÁVIO AUGUSTO
Infectologistas do Lacen fazem análise das amostras de pacientes para confirmar a infecção (Marcelo Ferreira/CB/D.A Press – 18/12/15)
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Infectologistas do Lacen fazem análise das amostras de pacientes para confirmar a infecção

O ano nem acabou e a capital federal já superou em 75% o número de casos de doença meningocócica, a meningite, em relação a todo o ano passado. Até novembro, 14 pessoas tiveram a doença e seis morreram. Em 2015, ocorreram oito infecções e sete mortes. Essa é a primeira alta em três anos (leia Alerta). A Secretaria de Saúde nega que o DF viva um surto. A Vigilância Epidemiológica, porém, está alerta e acompanha a situação, atualizando os dados semanalmente. Em 2017, haverá alteração no calendário vacinal do Sistema Único de Saúde (SUS) a fim de frear o avanço da doença.

O mapeamento das autoridades sanitárias mostra uma concentração de casos em pessoas entre 10 e 19 anos e em crianças menores de 1 ano. As investigações, segundo a Vigilância Epidemiológica, não comprovam a ligação entre os casos. Regiões administrativas como Estrutural, Gama e Riacho Fundo notificaram dois casos cada uma. Ceilândia, Sobradinho e Lago Norte também registraram uma situação cada. A doença meningocócica tem início abrupto e evolução rápida, podendo levar ao óbito em 24 a 48 horas.

A infecção das meninges (membranas que envolvem o cérebro e a medula) pode ser provocada por vírus, mas a forma mais comum é causada por uma bactéria — o meningococo. O período de incubação é, em geral, de dois a 10 dias — em média, de três a quatro dias. O Boletim Epidemiológico de Doenças Imunopreveníveis emitido pelo governo garante que nos últimos anos houve redução da variação mais letal. Pelo menos na última década não houve surto. As amostras dos pacientes infectados são encaminhadas ao Laboratório Central (Lacen) para confirmação dos casos. Lá, infectologistas identificam o tipo da doença e encaminham os resultados para a Vigilância Epidemiológica.

Os sintomas iniciais são febre alta, náuseas, vômitos e rigidez dos músculos da nuca. O doente não consegue encostar o queixo no peito e deve ser hospitalizado imediatamente. Como é transmitida por espirro, tosse ou fala, é importante a notificação. Os corpos das vítimas passam por quimioprofilaxia — procedimento realizado para evitar que a bactéria, altamente contagiosa, espalhe-se pelo ambiente. “É uma doença difícil de diagnosticar. As manifestações iniciais podem ser confundidas com uma infinidade de outras doenças”, ressalta a gerente de Vigilância Epidemiológica, Priscilleyne Reis.

Este ano, a Secretaria de Saúde publicou um alerta para o aumento de casos de doença meningocócica no Distrito Federal. O documento ressalta a predominância do sorogrupo C — ao todo, são 13 tipos e cinco são os mais frequentes —, além do reaparecimento do sorogrupo B. O texto ressalta o aumento dos casos. O alerta foi publicado em maio. “Naquele período, observamos um aumento acima da média, mas não há motivo para pânico. A doença está sob controle”, argumenta Priscilleyne.

Imunização

A meningite é uma doença respiratória. Há casos em que a pessoa tem a bactéria na garganta, mas que não desenvolve a infecção. Mesmo assim, são transmissoras. No primeiro ano de cobertura vacinal, o governo percebeu um recuo de 50% dos casos. No ano que vem, a faixa etária entre 12 e 13 anos também vai receber doses do imunobiológico Meningo C. “Esse é o grupo que está tendo o maior número de situações”, detalha a gerente de Vigilância Epidemiológica.
Há seis anos a vacina disponibilizada no SUS reduziu o número de doentes. No período, a doença meningocócica fez 123 vítimas. Entretanto, no ano passado houve falhas na vacinação (veja Memória). “Na prevenção, trabalhamos o alerta. Se tiver um atendimento rápido e uma boa suspeita clínica, o paciente fica bem. A vacina entrou no calendário anual em 2010 e a gente vem tendo uma redução dos casos”, pondera.

Memória

Os problemas da imunização

Na edição de 29 de outubro de 2015, o Correio denunciou a falta de vacinas nas redes pública e particular da capital federal. Entre as que estavam em escassez, a Pentavalente, a Hexavalente e a Meningo B, que protegem da meningite e outras infecções. Na época, a justificativa seria problemas na fabricação por falta do princípio ativo. O problema se arrastou por pelo menos seis meses. O Executivo local, desde então, assegura o abastecimento atual da rede.

Alerta

Entre 2010 e o ano passado, 123 pessoas tiveram meningite no DF

Ano Casos
2010 43
2011 21
2012 18
2013 20
2014 13
2015 8
2016* 14

*Até novembro
Fonte: Secretaria de Saúde