Após série histórica de 25 anos de crescimento, Brasil estaciona no IDH

O IDH brasileiro para 2016 permaneceu em 0,754. Em uma análise entre 188 nações, o país seguiu na posição 79 do ranking e faz parte de um pequeno grupo de 16 que ficaram estagnado

image002 (10)Natália Lambert
USP Imagens/Divulgação
O Índice de Desenvolvimento Humano engloba três questões estruturais: saúde, conhecimento e padrão de vida

Em mais uma das consequências da crise econômica, o Brasil manteve o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) estável, interrompendo um crescimento contínuo desde 2010 e, possivelmente, dos últimos 25 anos. Divulgado na manhã desta terça-feira (21/3) pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), o IDH brasileiro para 2016, baseado em dados de 2015, permaneceu em 0,754. Em uma análise entre 188 nações, o país seguiu na posição 79 do ranking e faz parte de um pequeno grupo de 16 que ficaram estagnados — 159 aumentaram e 13 diminuíram. O índice ficou estável, principalmente, por causa queda na renda das famílias e, para especialistas, é um alerta amarelo.

Desde 1990, quando o IDH começou a ser medido, o Brasil cresceu 23,4% e, apesar de os dados até 2010 estarem disponibilizados de cinco em cinco anos, acredita-se que é a primeira vez que o número ficou estacionado. “O aumento do Índice de Desenvolvimento Humano é muito sensível e baseado em questões estruturantes. Ano a ano, a maioria dos países melhora no IDH. A gente tem que pensar porque no Brasil as coisas pararam depois de tanto tempo de melhoria ininterrupta. É um alerta para a gente olhar com atenção, entender e pensar o que precisa ser feito. Se a gente quer ser um país melhor, qualquer coisa que nos freie é preocupante”, alerta Andréa Bolzon, coordenadora de desenvolvimento humano nacional.

O foco principal do relatório global deste ano é o olhar para os excluídos. Nas últimas décadas, houve muitos progressos no desenvolvimento das nações, mas ele não foi para todos. De acordo com o documento, uma em cada três pessoas no mundo ainda vive em um nível de desenvolvimento humano baixo. “Os povos indígenas, habitantes das zonas rurais, pessoas com deficiência, minorias étnicas, migrantes, LGBTI, refugiados e as mulheres são exemplos de grupos vulneráveis que sofrem em maior medida com as crises mundiais. É urgente e necessário que sejam fortalecidas as políticas de redução das desigualdades”, comentou o coordenador residente do sistema ONU e representante do PNUD no Brasil, Niky Fabiancic.

Desigualdade

Apesar de continuar na faixa de Alto Desenvolvimento Humano, quando o IDH brasileiro é ajustado ao índice de desigualdade, o país perde 19 posições e se enquadra no grupo de países que mais são penalizados. É o terceiro país que mais perde posições na questão, empatado com a Coreia do Sul e o Panamá. O país só perde para o Irã, que cai 40 posições e Botsuana, que cai 23. Com esse olhar, de “não ficar ninguém para trás”, o PNUD está atento às reformas que estão sendo propostas no Brasil, entre elas, a previdenciária, trabalhista e tributária. “Sabemos que é um tema importante para o Brasil e é necessário ter muito cuidado para que pessoas mais suscetíveis à vulnerabilidade não fiquem mais expostas. A gente confia que a pauta é necessária, mas é importante que não se coloque conquistas históricas em risco”, comenta Andréa. Segundo a coordenadora, há um diálogo em curso com outras agências da ONU para analisar as reformas mais profundamente.

O que é o IDH

Anualmente, desde 1990, o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) faz uma análise entre 188 países sobre o desenvolvimento humano e o desenvolvimento sustentável. Até então, o único conceito que definia se um país era desenvolvido era o Produto Interno Bruto. O Índice de Desenvolvimento Humano engloba três questões estruturais: saúde, conhecimento e padrão de vida. O número é atualizado de acordo com a melhora em análises de expectativa de vida, média de anos de estudo, anos esperados de escolaridade e Renda Nacional Bruta (RNB) per capita.
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