Socióloga lança livro sobre deserção da paternidade no Brasil

Em Nome da Mãe traz à tona assunto de grande atualidade política a social

O não reconhecimento paterno é o tema-chave do livro Em Nome da Mãe, em que a socióloga Ana Liési Thurler apresenta estimativas e interpretações sobre essa herança das relações coloniais e patriarcais, ainda presente no Brasil contemporâneo.  Tratado como questão política — além de histórica, cultural e jurídica —, o reconhecimento paterno é abordado como questão de cidadania e de efetivação da democracia no livro que será lançado em 8 de outubro no restaurante Carpe Diem, em Brasília.

Resultado de pesquisas no doutorado da autora, Em Nome da Mãe teve pré-lançamento com sucesso em Buenos Aires, no XXVII Congresso da Associação Latino-americana de Sociologia, no último dia 2 de setembro. No livro, Ana Liési Thurler investiga o não reconhecimento paterno como fenômeno social complexo e apresenta demandas pela universalização dos Direitos Reprodutivos, descriminalização do aborto, redistribuição de poder entre mulheres-mães e homens-pais e inversão do ônus da prova da paternidade.

DEPOIMENTOS – A autora compara essa questão nas sociedades brasileira e francesa. No prefácio, Anne-Marie Devreux, diretora do Centro de Pesquisas Sociológicas e Políticas de Paris (CRESSPA) e da revista Cahiers du Genre, endossa a importância do trabalho, que informa sobre um processo oculto e desvela como esse objeto localizado pode se tornar revelador de um processo mais global e universal: a dominação masculina.

A professora titular do Departamento de Sociologia da Universidade de Brasília, Lourdes Bandeira, destaca, na apresentação Um País de Filhos da Mãe, o desafio que a autora coloca de um engajamento coletivo para se “erradicar todas as formas de bastardia”.

É da diretora de pesquisa do Centro Nacional de Pesquisa Científica (CNRS- França), Helena Hirata, a ênfase na orelha do livro: “Se a literatura feminista se consagrou de maneira hegemônica até agora à questão da maternidade, pode-se dizer que o livro de Ana Liési é um dos primeiros que, no Brasil, aborda a questão da paternidade e do seu reconhecimento; trata-se de um tema original, de grande atualidade política e social”.

EM NOME DA MÃE traz achados alentadores e desafiantes. No quadro dos registros de nascimento, por exemplo, onde a questão também se insere, o Brasil passou da incidência de 28,5% de sub-registro, em 1997, para 12,2%, dez anos depois. Entretanto, desafios permanecem – entre eles o de serem criadas condições para a redução de registros de nascimento sem a filiação paterna, para que o país faça valer na vida social os princípios republicanos de igualdade e justiça.

A socióloga sugere ações e políticas a serem debatidas e implementadas pela sociedade e pelo Estado no livro que, certamente, interessará a cidadãs e cidadãos desejosos de um Brasil mais justo, igualitário e feliz.

ANA LIÉSI THURLER é doutora em Sociologia pela Universidade de Brasília e mestre em Filosofia pela Universidade Federal de Santa Maria, com estudos publicados no Brasil e no exterior. Defendeu em 2004 a tese Paternidade e Deserção. Crianças sem Reconhecimento, Maternidades penalizadas pelo Sexismo. No período de suas pesquisas, participou de seminários internacionais com Jacques Derrida, Danielle Kergoat, Alain Touraine, Françoise Héritier, Eleni Varikas, entre outros. É consultora de conteúdo do documentário Nada sobre meu pai, projeto premiado no México, da cineasta Susanna Lira, a ser lançado em 2010.

Em maio de 2000, Ana Liési Thurler foi proponente, ao MPDFT, do programa designado Pai Legal nas Escolas, boa prática que essa instituição mantém há sete anos; em 2005, propôs à Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE), o projeto de pesquisa e intervenção social Paternidade e Cidadania nas Escolas, coordenando sua implementação em 40 pontos no estado do Piauí e à Comissão de Direitos Humanos da Câmara Legislativa do Distrito Federal propôs a Audiência Pública Paternidade e Solidariedade, realizada em abril de 2008.

EM NOME DA MÃE: o não reconhecimento paterno no BrasilDe Ana Liési Thurler (Ed. Mulheres, Florianópolis. 368 pág.).  Lançamento: em 8 de outubro, 19 horas, no Restaurante Carpe Diem, Brasília (SCLS 104, Asa Sul). Preço: R$ 45,00; no lançamento: R$ 40,00.

Próximos lançamentos: Belo Horizonte, no VII Congresso Brasileiro de Direito de Família, promoção do Instituto Brasileiro de Direito de Família (IBDFAM), a ser realizado entre 28 a 31 de outubro e, em Recife, no Seminário Mães Solteiras e Reconhecimento Paterno, promoção da Associação Pernambucana de Mães Solteiras (APEMAS), em 18 de novembro.

Contato com a autora: Tel. 61 9215-3321 e 61 3244-7866; end eletr. ana_liesi@uol.com.br


Prezada Senhora, prezado Senhor,

Anuncio a publicação de meu livro Em Nome da Mãe: o não reconhecimento paterno no Brasil (Edit Mulheres, Florianópolis) e convido para o lançamento na próxima 5ª feira, 8, no restaurante Carpe Diem (104 Sul), em Brasília.

Têm presença confirmada a cineasta carioca Susanna Lira,  diretora do documentário “Nada sobre meu pai”, no qual sou consultora de conteúdo, e também um de seus importantes “personagens” do Distrito Federal, Alexandre, hoje adulto, pai de um menino com 4 anos. Alexandre tem o reconhecimento paterno legal (em seu registro de nascimento), mas o pai transformou-o em ex-filho: desapareceu, quando ele tinha 4 anos, sem dar mais qualquer notícia. Alexandre se tornou menino de rua, dormiu no chão da rodoviária de Brasília. Em uma noite, tocaram fogo em seu corpo. É uma história dramática. Em um primeiro momento, Susanna resistiu a inclui-la no filme, pois  Alexandre tem o reconhecimento formal. Entretanto, depois de conhecê-lo, ao vir trabalhar no DF, comoveu-se intensamente com sua história. Ele é um pai-cuidador, e chama seu filho de “pai”, pois declara aprender muito com o menino. Hoje Susanna sonha lançar o filme no Rio, no cinema Odeon, com a presença de Alexandre e de seu menino “pai”.

Ainda estará presente, vindo de Teresina (PI), a profª Núbia Lopes, que trabalhou na articulação local da implementação do Projeto “Paternidade e Cidadania nas Escolas”, no estado do Piaui. O Projeto teve o mérito de causar um impacto cultural, atingindo simultaneamente 40 pontos daquele estado. Com os trabalhadores da educação da rede pública, o tema do não reconhecimento paterno foi colocado na agenda social do Piaui.
Cordialmente,
Ana Liési Thurler

Convite lancamento Em Nome da Mae - O nao reconhecimento paternono Brasil - Ana Liesi Thurler

Capa Completa Em nome da Mae