Trânsito Julgado por triplo homicídio


Ex-caminhoneiro acusado de provocar acidente na DF-190 que tirou a vida de três pessoas, em 2008, vai a júri hoje. Exame apontou que ele estava alcoolizado

  • Luiz Calcagno
  • Paulo de Araújo/CB/D.A Press
    A servidora Dulce Gomes, que perdeu a nora e o neto no acidente, diz esperar que a justiça seja feita hoje pelo Tribunal do Júri de Ceilândia

    O ex-caminhoneiro Márcio Carlos Batista Fontenele, 39 anos, vai se sentar no banco dos réus hoje. Ele será julgado no Tribunal do Júri de Ceilândia. Fontenele é acusado de ter provocado o acidente que matou a dona de casa Ana Paula Soares, 23, Lucas Levi Gomes da Silva, 4, e Luiz Henrique Soares de Souza, 2, em 28 de junho do ano passado. Segundo o Ministério Público, ele dirigia alcoolizado um caminhão na DF-190, próximo a Ceilândia, sete dias após a lei seca entrar em vigor, quando bateu de frente com o carro onde estavam as vítimas. Márcio vai responder por homicídio doloso (1)(com intenção de matar).

    O acidente também feriu gravemente o consultor administrativo Willian Gomes da Silva, pai de Lucas e marido de Ana Paula, Nilma Soares Pinto e Luiz Otávio Soares, mãe e irmão da jovem, respectivamente. Luiz Henrique era sobrinho da dona de casa. Segundo testemunhas, Márcio, que está preso desde a data do acidente, invadiu a pista contrária ao abaixar-se para pegar um maço de cigarros que teria caído no chão do veículo que dirigia. Willian conduzia o VW Santana placa JEB-5070-DF e freou por cerca de 15 metros antes de bater de frente com o caminhão placa NGT 6705-GO. O consultor administrativo tentou desviar pela contramão, mas não houve tempo hábil.

    Segundo a mãe de Willian, a funcionária da Secretaria de Educação Dulce Gomes, 56 anos, nem ele e nem a mãe de Ana Paula ainda estão em condições de falar sobre o caso. Desde o acidente, Dulce se engajou em campanhas pela paz no trânsito. De acordo com a subsecretária de Proteção às Vítimas de Violência (Pró-Vida), Valéria de Velasco, o órgão prestou apoio jurídico e psicológico à família de Dulce. “Estamos na expectativa do julgamento, que é um marco importante. A Justiça de Ceilândia dá o exemplo ao enquadrá-lo (o acusado) em triplo homicídio”, afirmou.

    Saudade

    Dulce conta que o filho ia para a casa dela, em Ceilândia, quando ocorreu o acidente. O caminhoneiro seguia para Santo Antônio do Descoberto. Ela recebeu um telefonema da filha, Elaine da Silva, e foi imediatamente para o local. Chegou no momento que Willian era posto em um helicóptero dos bombeiros. Segundo ela, Márcio mal conseguia caminhar, de tão embriagado que estava.

    O motorista foi submetido ao exame de bafômetro, que registrou 1,24 miligrama de álcool por litro de ar expelido no pulmão. A partir de 0,3 mg/l, a pessoa já responde pelo crime de dirigir alcoolizado. Dulce frisa que a prisão é uma punição que nunca vai se comparar com a dor da perda. “Ele ainda vai ver a família, vai sair da prisão. Mas e eu e todas as outras famílias vitimadas pelo trânsito, com quem vamos nos encontrar? Quando vamos ver nossos filhos nas ruas novamente? Meu filho ficou traumatizado. Ele nunca bebeu, mas perdeu a família por causa do álcool”, garante, acrescentando que não deseja vingança e sim justiça.

    1 – Punição
    Se condenado com a pena máxima, o ex-caminhoneiro pode pegar até 90 anos de prisão, embora cumpra no máximo 30, de acordo com a legislação brasileira.