AUXÍLIO NA DOR


Asa Sul ganha unidade do Pró-Vítima

Programa de assistência a pessoas que passaram por algum tipo de violência inaugura local de atendimento na estação do metrô na 114 Sul

  • Elisa Tecles
  • George Gianni/GDF
    A unidade inaugurada na Asa Sul é a terceira do programa que, em seis meses de trabalho, atendeu 609 pessoas

    Vítimas e familiares de pessoas que sofreram agressão contam com um novo ponto de apoio na Asa Sul. A terceira unidade de atendimento do Programa de Proteção às Vítimas de Violência (Pró-Vítima) foi inaugurada ontem, na estação do metrô da 114 Sul. A equipe oferece suporte psicológico, jurídico e social para quem passou por violência doméstica, estupro, lesão corporal e outros crimes. Parentes de pessoas assassinadas ou desaparecidas também têm direito aos serviços.

    O Pró-Vítima já tem unidades em funcionamento no Paranoá e no Setor de Indústria e Abastecimento (SIA). Em seis meses de trabalho, os dois pontos atenderam 609 pessoas. A violência doméstica é o principal motivo que leva homens e mulheres a procurar o serviço — 52% dos casos tratam desse tipo de crime.

    O projeto tem parceria com a Polícia Civil, que informa as ocorrências de crimes violentos. Assim, a equipe do Pró-Vítima pode ir à casa da família e oferecer apoio. Um grupo de psicólogos, advogados, assistentes sociais e estagiários trabalham para amenizar o sofrimento das vítimas. “Depois do trauma, elas ficam sem saber a quem recorrer. A atenção no Brasil está muito centrada no criminoso. Tradicionalmente, a vítima fica esquecida”, explicou a subsecretária de Proteção às Vítimas de Violência, Valéria de Velasco.

    A dona de casa Dorcas de Melo Oliveira, 51 anos, participou da inauguração da unidade para agradecer o trabalho feito pelo Pró-Vítima. Em janeiro deste ano, a filha de Dorcas, Sueli de Melo, 26, desapareceu. A mãe, moradora de Taguatinga, começou o trabalho de busca pela moça, porém, está perdendo as esperanças. “Acho que ela está morta, mas ainda não consegui encontrar o corpo”, lamentou. Dorcas cata papelão nas ruas para ajudar nas despesas de casa e não tem condições de bancar ajuda psicológica ou jurídica. Durante cinco meses, ela se encontrou com uma psicóloga do Pró-Vítima. “Tudo que ninguém fez por mim, eles fizeram. Me escutaram, foram lá em casa. Todo mundo fala que eu não sou mais aquela pessoa chorona e desesperada que era”, contou.

    Casa do Saber
    Um par de estantes, algumas mesas e cadeiras se transformaram em biblioteca na parte externa da unidade do Pró-Vítima. Os livros ficam disponíveis para qualquer pessoa e podem ser levados para casa sem burocracia. É o projeto Biblioteca Casa do Saber, que, desde 2007, montou 59 unidades com o apoio de idosos.

    O acervo escolhido para a biblioteca da estação 114 Sul do metrô inclui títulos de literatura infantil e de auto-ajuda para adultos. Os voluntários do projeto não compram livros — eles contam com o auxílio da comunidade, que pode doar exemplares em qualquer posto de gasolina Gasol. As obras são separadas e passam por triagem, que define o destino dos livros.

    “Se alguém levar e não devolver, não tem problema, a gente repõe. Os livros são da comunidade e vão voltar para a comunidade”, disse a coordenadora geral do projeto, Carmen Gramacho. Segundo ela, cerca de 1,2 milhão de títulos foram coletados nos últimos dois anos. O material serviu para a criação de bibliotecas em escolas, organizações não governamentais, presídios feminino e masculino do DF, entre outros lugares.

    O número
    Números
    1.252
    Ocorrências policiais analisadas em seis meses de existência do Pró-Vítima
    O número
    508
    Visitas domiciliares realizadas
    O número
    101
    Ações judiciais que tiveram origem no projeto
    O número
    609
    Vítimas de violência que passaram por atendimento no local

    Onde procurar ajuda

    A Pró-Vítima recebe os interessados em três pontos do DF. O atendimento é gratuito e feito em três frentes: apoio psicológico, jurídico e social.

  • Núcleo SIA
    SIA trecho 8, lotes 170/180
    Telefones: 3905-1434 ou 3905-7152
  • Núcleo Paranoá
    Quadra 2, conjunto C, lote A
    Telefones: 3905-4299 ou 3905-1448
  • Núcleo Plano Piloto
    Estação 114 Sul do Metrô
    Telefones: 3905-8442 ou
    3905-1777

    Para mais informações, acesse o blog www.provitima.blogspot.com

    Traumas

    Tipos de violência apontados pelas pessoas que procuram o Pró-Vida

  • Violência doméstica 52%
  • Homicídio 18,5%
  • Lesão corporal 10,2%
  • Estupro 7,4%
  • Acidente de trânsito 3,7%
  • Outros crimes 8,2%