Unidos em nome da paz ao volante

CAMILA DE MAGALHÃES

Carlos Moura/CB/D.A Press
Familiares e amigos de vítimas se reuniram no Parque da Cidade para cobrar justiça

Cerca de 50 parentes e amigos de vítimas do trânsito se mobilizaram na manhã de ontem em uma passeata realizada no Parque da Cidade. Além de pedirem paz nas avenidas e estradas do Distrito Federal, protestaram contra a impunidade de motoristas imprudentes envolvidos em acidentes. Várias faixas marcaram o ato público organizado pelos familiares do biológo Pedro Davison, ciclista morto aos 25 anos após ser atropelado pelo contador Leonardo Luiz Costa em 19 de agosto de 2006. O condutor, supostamente embriagado, fugiu sem prestar socorro, mas acabou preso em flagrante depois que um motoqueiro anotou a placa do veículo. Pagou fiança de R$ 2 mil e responde ao processo em liberdade.

Às 9h da próxima quarta-feira, Leonardo será submetido ao Tribunal do Júri de Brasília. O contador será julgado por homicídio doloso, pois teria assumido o risco de matar. Se condenado, pode receber pena de até 20 anos de prisão. Antes do julgamento, a família de Pedro pretende realizar uma nova manifestação, no estacionamento do TJDF. “Não podemos aceitar que permaneçam sem punição atos que levam a vida dos outros, desrespeitando a lei. O sofrimento da perda é agravado pela demora da Justiça”, destacou o pai da vítima, o economista Pérsio Davison, 62 anos.

Amanhã, será a vez de testemunhas relatarem em audiência um outro acidente fatal ocorrido em Brasília. Em 6 de junho do ano passado, um sábado, o estudante Pedro Gonçalves da Costa, 16 anos, não conseguiu fazer as provas no Centro de Ensino Médio Setor Oeste. Morreu atropelado próximo a um semáforo no final da W3 Sul, a poucos metros da escola. Alcoolizado, o motorista identificado como Bruno Moraes Dantas, 21 anos, ultrapassou o sinal vermelho e atingiu o jovem. O condutor fugiu e foi encontrado pela polícia duas horas depois, dormindo em casa. Na audiência, o juiz decidirá se Bruno irá ou não a júri popular.

O pai do adolescente morto, Franklin Correa da Costa, 49 anos, espera uma decisão favorável ao Tribunal do Júri. “Queremos apenas que as pessoas paguem pelo crime que cometeram e que isso sirva de exemplo para termos um trânsito mais humanizado”, defendeu.

Na avaliação de Valéria Velasco, subsecretária de Proteção às Vítimas de Violência (Pró-Vítima), punição e justiça são os melhores instrumentos de educação no trânsito. Ela defende que a sociedade precisa se mobilizar para mudar as leis e a cultura da impunidade. Além disso, acredita que só o motorista pode evitar que haja violência no trânsito. “É isso que o poder judiciário deve enxergar.”

A esperança de todas essas famílias é de que os casos com vítimas do trânsito sejam finalizados como o do caminhoneiro que perdeu o controle do veículo na DF-190 em 28 de junho de 2008, oito dias depois que a lei seca entrou em vigor. Ele invadiu a pista contrária e atingiu de frente o carro de William Gomes da Silva, 32. William sobreviveu, mas a mulher, o filho único e o sobrinho não resistiram.
O caminhoneiro acabou preso no momento do acidente, pois o teste do bafômetro acusou embriaguez. O réu foi julgado em novembro de 2009 e condenado a 19 anos e seis meses de prisão em regime fechado. Foi o primeiro caso de condenação pela lei seca no país. “Que isso sirva de exemplo, pois é preciso fazer valer a lei”, ressaltou a auxiliar técnica de educação Dulce Gonçalves da Fonseca, mãe de William. “Mas não é porque tive êxito que vou parar de lutar. A luta continua”, avisou.

Capotagem
Uma pessoa ficou ferida em uma capotagem ocorrida por volta das 16h50 de ontem, na BR-060, depois do viaduto que liga Samambaia ao Recanto das Emas. Fernando Antunes Saraiva, 18 anos, ocupava uma caminhonete S-10 preta e sofreu escoriações no rosto e no braço esquerdo. Ele foi socorrido pelo Corpo de Bombeiros e encaminhado ao Hospital Regional de Taguatinga. Uma criança de um ano, que também estava no veículo, saiu ilesa. Os bombeiros não informaram a causa do acidente.