Agosto Dourado: como doar leite, ato de amor que salva vidas

Coordenadora das Políticas de Aleitamento Materno e Banco de Leite Humano do DF ressalta que toda mulher que estiver amamentando é uma doadora em potencial e um pote de leite materno é suficiente para alimentar até 10 bebês

As doações de leite materno são responsáveis por salvar a vida de centenas de recém-nascidos em todo o Distrito Federal. De acordo com a Secretaria de Saúde local (SES/DF), o número de contribuições tem aumentado, mas a necessidade é sempre presente. A máxima é “quanto maior o volume coletado, maior será o número de bebês atendidos”, informa a pasta.

Os dados coletados pela secretaria até o momento apontam que, até junho deste ano, os bancos de leite receberam 9.272 litros de leite materno. No ano passado, de janeiro a dezembro, foram arrecadados 17.976 litros. Esta margem mostra que as doações estão crescendo, mesmo com todas as dificuldades impostas pela pandemia.

Ainda assim, Miriam Santos, coordenadora das Políticas de Aleitamento Materno e Banco de Leite Humano do DF, faz um apelo às mães que estejam amamentando, para que ajudem a aumentar os estoques no DF. “Estamos necessitando de doações, pois a demanda este ano está maior que os outros anos. As mulheres que estão em casa e amamentando seus filhos podem ser doadoras de leite humano e serem solidárias com as mulheres que estão nos hospitais acompanhando seus bebês internados nas unidades neonatais. Elas estarão trazendo esperança para estas mulheres e um acalento na vida delas”, enfatiza.

“Leite Humano é a alimentação padrão ouro para todas as crianças. Para a criança que está internada na Unidade Neonatal e, por motivos variados, as mães não podem alimentá-las, ou mesmo extrair todo leite materno que elas precisam, o uso de leite humano de banco de leite humano é fundamental. Este alimento fornece nutrientes que promove crescimento e desenvolvimento e fatores de proteção para o sistema imunológico”, ressalta.

Ainda segundo a coordenadora, toda mulher que estiver amamentando é uma doadora em potencial, além disso, um pote de leite materno é suficiente para alimentar até 10 bebês. “Neste Agosto Dourado agradecemos a solidariedades das mulheres do DF e Entorno por serem solidárias e salvarem muitas vidas”.

Saiba tudo sobre como doar leite materno

A médica Mariana Carvalho, que é pediatra geral na Secretaria de Saúde no Hospital Materno Infantil de Brasília (HMIB) e sócia da RF Pediatria, explica a importância do leite materno e incentiva as mães a fazerem doações. Confira abaixo as dicas completas:

Qual a importância do leite materno?

A primeira coisa que eu acho importante ressaltar é que as pessoas devem saber que o Agosto Dourado tem esse nome porque o leite materno é considerado um alimento completo e padrão-ouro. Costumamos afirmar que o leite materno é um alimento vivo, ele é produzido conforme as necessidades do bebê. Então, é um alimento completo em teor de água, gordura e proteína.

Além disso, dentro do leite materno existem fatores que auxiliam no crescimento da microbiota intestinal. Assim, é a mãe que seleciona que tipo de bactéria ela quer que cresça na barriguinha do bebê para que ele seja saudável e tenha uma imunidade melhor. Importante ressaltar também que a mãe passa anticorpos pelo leite materno.

Por que é tão importante doar?

A doação é importante porque existem pacientes que precisam ser alimentados com esse leite completo. Principalmente bebês prematuros que estão internados em uma Unidade de Tratamento Intensiva (UTI), por exemplo, e que por vezes nasceram antes da mãe entrar em trabalho de parto ou que tenha a descida do leite prejudicada de alguma forma por conta da prematuridade.

Por ser um alimento completo, com imunoglobulinas e anticorpos, é melhor que o bebê prematuro receba esse “leite vivo” do que um outro artificial. Por isso, as mães que puderem se solidarizar e doar para os bebês que não estão podendo ainda mamar no peito, é uma decisão maravilhosa.

É seguro receber a doação?

O processo de um banco de leite é muito rigoroso. A mãe deve higienizar a mão até os cotovelos, retirar todos os adornos, higienizar as mamas apenas com água e realizar a ordenha. Esse processo pode ser manual ou com a ajuda de uma bombinha elétrica.

O ideal é que esse leite seja colocado em um pote de vidro esterelizado com tampa de plástico ou em saquinhos específicos para guardar leite. Feito isso, a mãe pode levar esse leite até um banco de leite ou até mesmo solicitar que busquem em sua casa.

No banco, o leite passa por um processo de pasteurização e são testadas também a presença de algumas doenças. Se tiver alguma sujidade, fio de cabelo, um grãozinho de poeira qualquer, esse leite para doação é então descartado. Ou seja, é um processo muito seguro para garantir boas condições a quem vai receber e muito criterioso a quem doar.

Quais os benefícios para a mãe e para o bebê?

O leite materno é importante em tudo. Desde o vínculo que ele vai ter com a mãe e até para manter o bebê hidratado. É um alimento nutricionalmente completo. Estudos mostram inclusive que bebês que ingerem leite materno possuem mais pontos de quociente de inteligência (QI).

A imunidade também fica melhor e se desenvolve menos chance de ter otites, pneumonias, bronquiolite, diarreias e gastroenterite. A longo prazo, também o risco de diabetes é diminuído na criança, assim como as chances de câncer de mama na nutriz.

Devemos lembrar também que, amamentar na primeira hora, logo quando o bebê nasce, estimula a produção do leite a ser mais rápida e desenvolve menos risco de hemorragias.

Quem não pode doar?

-Se estiver doente
-Se estiver tomando algum remédio
-Se estiver infectada com vírus de doenças graves, como HIV
-Se tiver consumido drogas ou bebidas alcoólicas

Existe uma quantidade adequada para doar?

A quantidade é quanto a mãe quiser e/ou puder. Vale lembrar também que é possível ir juntando esse leite ao longo dos dias, já que a validade é de 15 dias a partir do primeiro dia que ele foi congelado.

Gesto de amor

Daniella Freire, de 31 anos, é mãe do pequeno Samuel, de apenas três meses, e amamentar e, por consequência, poder doar e ajudar outros bebês, sempre foi um sonho. Ela enfatiza que o processo de adaptação nesta etapa, nunca foi simples, porém, com muita dedicação e carinho, tornou-se gratificante.

Ela conta que o bebê nasceu em um hospital particular de Goiânia-GO e que não teve nenhum acompanhamento sobre amamentação no local. “Ninguém me orientou adequadamente e o meu filho já saiu da maternidade com uma mamadeira. Nem o colostro eu consegui dar. Mas eu não fiquei satisfeita. Assim que eu cheguei em casa com ele, comecei a buscar ajuda nesse sentido”, lembra.

Com a ajuda de uma amiga e enfermeira, o processo começou a evoluir. “Até febre eu tive por conta do leite acumulado. Eu não conseguia tirar, doía muito. Mas, a vontade de ver meu filho mamar era maior e eu não desisti”.

A partir daí, foi orientada a procurar também o Banco de Leite Materno de Santa Maria-DF, onde encontrou profissionais com vasta experiência e pode, enfim, amamentar e ajudar outras pessoas. “É um processo lento mas, se você tiver força de vontade, você consegue. Eu não desisti. Eu passei por muitos problemas durante a gestação, inclusive um luto muito doloroso, e fui adiante. Busquei ajuda no banco de leite, quando o Samuel tinha pouquíssimos dias de vida, e não desisti porque meu sonho de amamentar era maior do que qualquer dor”.

Hoje, felizmente, ela amamenta Samuel tranquilamente. “É uma sensação muito gostosa. Não foi fácil no começo. A romantização do ato é uma falácia. Dói, corta e machuca. Mas depois vale a pena e tudo passa. Hoje apenas sinto felicidade de poder amamentar meu filho e ainda doar meu leite para outros bebês. Eu vivi na pele o quão difícil é amamentar. E saber que meu leite está indo para cuidar de outras crianças que estão em UTIs tem um valor ainda maior. Tão bom poder ajudar!”

Bancos de Leite no Distrito Federal

Para garantir o acesso ao alimento, especialmente para os bebês cujas mães têm dificuldade na produção, ou que estão internados em UTIs, existem os Bancos de Leite Humano. No Distrito Federal são dez em funcionamento, além de três postos de coleta de leite. Confira aqui o mapa completo e encontre o mais perto de você!

A Secretaria de Saúde do DF informa também que se você está amamentado e deseja se tornar uma doadora, basta entrar em contato pelo número 160, opção 4, ou pelo site Amamenta Brasília. Após o agendamento, uma equipe do Corpo de Bombeiros irá até a residência da doadora para fazer a retirada.

Conheça a rota de coleta realizada pelos Bombeiros Militares do DF clicando aqui.

Fonte: www.correiobraziliense.com.br

Saiba quem pode se vacinar contra a covid-19 nesta segunda-feira

Serão aplicadas vacinas da primeira dose em pessoas com 30 anos ou mais e da segunda dose seguindo a data do cartão de vacinação

Nesta segunda, pessoas com 30 anos ou mais podem tomar a primeira dose da vacina contra a covid-19 -  (crédito: Minervino Junior/ CB DA Press)
Nesta segunda, pessoas com 30 anos ou mais podem tomar a primeira dose da vacina contra a covid-19 – (crédito: Minervino Junior/ CB DA Press)

Nesta segunda-feira (9/8), as vacinas contra a covid-19 da D1, primeira dose, serão aplicadas em pessoas com 30 anos ou mais, gestantes e puérperas, e as D2, segunda dose, em quem tiver o período indicado no cartão de vacina. Os pontos de vacinação contra a covid-19 estarão abertos das 9h às 17h, atendendo tanto pedestre quanto na modalidade drive-thru.

Para quem for se vacinar, é necessário levar o cartão de vacinação e o documento de identidade com foto. A Secretaria de Saúde destaca que, para quem vai iniciar o ciclo imunizante, não será possível escolher a vacina. Veja abaixa a lista de locais onde se vacinar:

Pontos de vacinação contra a covid-19 desta segunda-feira (9/8)
Pontos de vacinação contra a covid-19 desta segunda-feira (9/8)(foto: Divulgação/ Secretaria de Saúde)
Pontos de vacinação contra a covid-19 desta segunda-feira (9/8)
Pontos de vacinação contra a covid-19 desta segunda-feira (9/8)(foto: Divulgação/ Secretaria de Saúde)

Com informações da Secretaria de Saúde

Fonte: https://www.correiobraziliense.com.br/cidades-df/2021/08/4942555-saiba-quem-pode-se-vacinar-contra-a-covid-19-nesta-segunda-feira.html?utm_source=whatsapp&&utm_medium=whatsapp

Covid longa: mais de cinco sintomas é sinal de alerta; veja sequelas mais comuns

Cientistas listam condições observadas em pacientes que sofrem com a persistência de sintomas após a fase aguda da infecção pelo Sars-CoV-2. Estudo inclui dados médicos de 3.762 pessoas de 56 países. A maioria, 96%, enfrentou o problema por ao menos 90 dias

No maior estudo já realizado sobre a covid longa — persistência de sintomas após a fase aguda da doença —, uma equipe de pesquisadores liderados pela Universidade College London, na Inglaterra, detectou 203 condições que afetam 10 sistemas e órgãos de ex-pacientes. De fadiga a disfunção sexual, passando por descontrole da bexiga, alucinação e palpitação cardíaca, algumas chegam a permanecer por até sete meses, segundo o artigo publicado na revista EClincialMedicine, no grupo Lancet.

A pesquisa incluiu dados de 3.762 pessoas de 56 países, incluindo Brasil. Os participantes foram contatados por meio do grupo Covid-19 on-line, que criou uma pesquisa respondida pela internet na qual eles deveriam relatar sintomas da doença longa confirmados ou suspeitos, além de informar sobre como isso impactou na vida diária e no trabalho. Das 203 condições descritas, os pesquisadores monitoraram 63 ao longo de sete meses.

A ampla gama de sintomas incluiu tremores, coceira na pele, alterações no ciclo menstrual, herpes zoster, perda de memória, visão turva, diarreia e zumbido, entre outros. Os mais comuns foram fadiga, mal-estar pós-esforço (piora dos sintomas após esforço físico ou mental) e disfunção cognitiva, geralmente chamada de névoa cerebral.

Os resultados indicaram que a probabilidade de os sintomas permanecerem além de 35 semanas (mais de sete meses) foi de 91,8%. Dos 3.762 entrevistados, 96% relataram sofrê-los além de 90 dias, 2.454 os apresentaram por pelo menos seis meses e apenas 233 se recuperaram completamente no período do estudo.

Os pesquisadores constataram que o tempo de recuperação tem associação com a data em que os sintomas atingiram o pico: no caso daqueles recuperados em menos de 90 dias, isso aconteceu na segunda semana pós-fase aguda; já entre os que levaram mais tempo para se verem livres das sequelas, o auge foi no segundo mês. Quase 90% dos pacientes tiveram recaídas, sendo o exercício, a atividade física ou mental e o estresse os principais desencadeadores. Quarenta e cinco por cento relataram a necessidade de um horário de trabalho reduzido e 22,3% não estavam trabalhando no momento da pesquisa.

“Pela primeira vez, um estudo ilumina o vasto espectro de sintomas, particularmente neurológicos, prevalentes e persistentes em pacientes com covid longa”, comenta a principal autora, Athena Akrami, neurocientista da Universidade College London. Segundo ela, a maioria dos países foca os programas de recuperação na reabilitação respiratória, negligenciando importantes sequelas.

“Perda de memória e disfunção cognitiva, experimentadas por mais de 85% dos entrevistados, foram os sintomas neurológicos mais difundidos e persistentes, igualmente comuns em todas as idades e com impacto substancial no trabalho”, continua. “Dores de cabeça, insônia, vertigem, neuralgia, alterações neuropsiquiátricas, tremores, sensibilidade a ruído e luz, alucinações (olfatórias e outras), zumbido e outros sintomas sensório-motores também foram comuns e podem apontar para maiores questões neurológicas envolvendo o sistema nervoso central e periférico”, destaca Akrami.

A neurocientista destaca que há “uma necessidade clara de ampliar as diretrizes médicas para avaliar uma gama muito mais ampla de sintomas ao diagnosticar a covid longa”. “Além disso, é provável que haja dezenas de milhares de pacientes sofrendo em silêncio, sem saber se seus sintomas estão relacionados à covid”, diz.

Assistência urgente

Para Anna Brooks, imunologista celular da Universidade de Auckland, na Austrália, identificar e tratar esses pacientes é urgente. “Atualmente, não há testes diagnósticos de rotina que possam ser aplicados a essa condição crônica complexa multissistêmica, razão pela qual a pesquisa é urgentemente necessária para tentar descobrir mecanismos ou biomarcadores para ajudar no cuidado de longo prazo. Já ouvi inúmeros relatos de pacientes sendo recusados, negados em consultas ou mesmo tratados como se fossem infecciosos quando apresentam sintomas de covid longa —realmente parece haver uma falta geral de compreensão nos sistemas de saúde, e é de quebrar o coração ouvir essas histórias.” Segundo Brooks, pessoas nessa situação sentem-se “completamente ignoradas e dispensadas pelos profissionais de saúde”.

Na avaliação de Athena Akrami, as diretrizes clínicas sobre a avaliação da covid longa devem ser ampliadas “significativamente” além dos testes de função cardiovascular e respiratória aplicados, passando a incluir sintomas neuropsiquiátricos, neurológicos e de intolerância à atividade física. “É verdade que muitas pessoas têm falta de ar, mas também têm muitos outros problemas e sintomas, o que requer uma abordagem clínica mais holística.”

Os resultados do estudo da Universidade College Londres estão em consonância com outra pesquisa, divulgada há três dias, na revista Plos One. Com um universo menor de participantes — 431, todos moradores de Zurique, na Suíça. Os cientistas constataram que 26% deles não haviam se recuperado totalmente em seis a oito meses após o diagnóstico inicial da covid-19. No geral, 55% dos pacientes relataram fadiga, 25% tiveram algum grau de falta de ar e 26% apresentaram sinais de depressão. Ainda não existem estudos de grande porte que estimem quantos pacientes de covid sofrerão da forma longa da doença. Uma pesquisa da Universidade de Genebra, na Suíça, com 700 pessoas encontrou um percentual de 33% de indivíduos com sintomas prolongados.

» Nova vacina em teste

Uma candidata à vacina para covid-19 à base de proteína combinada com um potente adjuvante forneceu proteção eficaz contra o Sars-CoV-2 quando testada em animais, sugerindo que a associação poderia adicionar mais um imunizante promissor para uso humano. O antígeno proteico, baseado no domínio de ligação ao receptor (RBD) do Sars-CoV-2, foi expresso em leveduras em vez de células de mamíferos — o que os autores dizem que poderia permitir um processo de produção escalável, estável à temperatura e de baixo custo, adequado para implantação no mundo em desenvolvimento. O estudo é da Universidade de Emory e foi publicado na revista Science Immunology.

Mais de cinco sintomas é sinal de alerta

A presença de mais de cinco sintomas da covid-19 na primeira semana de infecção está significativamente associada ao desenvolvimento de covid longa, independentemente da idade ou do sexo, de acordo com uma nova revisão publicada no Journal of the Royal Society of Medicine. O estudo, liderado pela Universidade de Birmingham, resume as pesquisas atuais sobre a prevalência de complicações da doença. Os cientistas destacaram as 10 sequelas mais comuns: fadiga, falta de ar, dor muscular, tosse, dor de cabeça, dor nas articulações, dor no peito, cheiro alterado, diarreia e paladar alterado.

Os pesquisadores também identificaram dois grupos de sintomas principais de covid longa: aqueles compostos exclusivamente por fadiga, dor de cabeça e queixas respiratórias superiores; e os com queixas multissistêmicas, incluindo febre contínua e sintomas gastroenterológicos.

“Pessoas que vivem com covid longa geralmente se sentem abandonadas e dispensadas por profissionais de saúde e recebem aconselhamento limitado ou conflitante. Mais de um terço dos pacientes em um dos estudos incluídos na revisão relataram que ainda se sentiam mal ou em pior condição clínica em oito semanas do que no início da doença”, diz o autor principal, Olalekan Lee Ayiegbusi.

Probabilidade de cepas mais perigosas

Em um comunicado divulgado ontem, o Comitê de Emergência da Organização Mundial da Saúde (OMS) alertou sobre a “forte probabilidade” de surgimento de novas variantes do coronavírus que seriam “mais perigosas”. “A pandemia está longe de acabar”, afirmam os especialistas, encarregados de aconselhar o diretor-geral da agência. Eles se reuniram por videoconferência na quarta-feira.

“Existe uma forte probabilidade de que surjam e se transmitam novas variantes preocupantes, possivelmente mais perigosas e mais difíceis de controlar” do que as já registradas, acrescentaram. “As tendências recentes são preocupantes. Dezoito meses depois de declarar a emergência de saúde pública internacional, continuamos correndo atrás do coronavírus”, destacou, em coletiva, o presidente do comitê, o francês Didier Houssin.

Até agora, a OMS registrou quatro variantes classificadas como preocupantes: Alfa, Beta, Gama (a brasileira) e Delta. Essa última, encontrada, pela primeira vez, na Índia, se espalha com grande velocidade em todo o mundo, provocando um forte agravamento da pandemia porque é muito mais contagiosa e apresenta um pouco mais de resistência às vacinas, embora elas continuem protegendo nos casos mais graves de covid-19.

Fonte: Correio Braziliense

Universidade oferece fisioterapia gratuita a pacientes com sequelas da covid-19 no DF

Podem ser atendidas pessoas que tiveram movimentos e capacidades do corpo afetadas por consequência da covid-19; saiba como se inscrever

A Clínica-Escola de Fisioterapia da Universidade Católica de Brasília (UCB) está oferecendo 100 vagas para atender gratuitamente pessoas que tiveram alta do tratamento para a covid-19, mas que continuam com sequelas da doença. Por conta da pandemia, inscrição, agendamento e triagem serão realizadas online.

As inscrições podem ser feitas entre 5 e 11 de julho. O paciente deverá apresentar os dados pessoais, comprovante de residência e ter o encaminhamento médico com data inferior a um ano de sua emissão. Os atendimentos devem começar no final de julho, e em horário vespertino, de segunda a sexta-feira, das 14h às 18h.

Além dos atendimentos para pacientes que se recuperam da covid-19, serão ofertadas ainda vagas de atendimento para as áreas de Ortopedia e Traumatologia, Neurologia Infantil, Neurologia Adulto, Uroginecologia e Reabilitação Pós Covid-19. Serão 20 vagas para cada uma das cinco áreas, e as inscrições podem ser realizadas por meio dos links abaixo:
Neurologia adulto;
Neurologia infantil;
Reabilitação pós-covid;
Uroginecologia (reabilitação pélvica);
Ortopedia e traumatologia.

Reabilitação Pós-Covid

Após a infecção por coronavírus, muitas pessoas têm ficado com sequelas. A docente e coordenadora do curso de Fisioterapia da UCB, Letícia Andrade, contou quais tipos de reabilitação o curso está atendendo. “Nós estamos atendendo pacientes com sequelas respiratórias e motoras. Além disso, há pacientes que sofreram sequelas neurológicas, como AVC no período que estava internado. Nesses casos, encaminhamos para a área da fisioterapia especializada.

Verusca Najara, docente do curso de fisioterapia, informou que é atendido mais pacientes com fraqueza muscular e quais exercícios são realizados para a reabilitação. “A fisioterapia, inicialmente, faz os exercícios com o peso do próprio corpo para ganhar força e resistência muscular, e depois evoluímos para os pesos libs, com fitas elásticas, até chegar aos equipamentos para resistência musculares. Na parte respiratória, utilizamos os padrões respiratórios e associamos o powerbreath, que é um aparelho que ajuda a aumentar a musculatura inspiratória e associar com os exercícios, trabalhando com a parte aeróbica do paciente”.

Mas nem só de aparelhos comuns são feitos a fisioterapia reabilitativa. Segundo Najara, há outros métodos não convencionais para pacientes com baixa motivação para a melhora do quadro. “Pode utilizar a realidade virtual e vídeo games, escolhendo jogos de acordo com o grupo muscular que queremos tratar”, contou.

*Yasmin Ibrahim, sob a supervisão de Hellen Leite.

Fonte: correiobraziliense.com.br

Tomei a vacina contra covid-19 e tive reação. É normal?

Todas as vacinas disponíveis no Brasil passaram por testes clínicos que atestaram a eficácia e a segurança dos imunizantes; entenda as reações esperadas

Tomou a vacina da covid-19 e teve alguma reação? Na maior parte das vezes não há com o que se preocupar. A maioria das reações esperadas são leves, como dor no local da aplicação, dores de cabeça ou musculares e até mesmo febre. Segundo Anna Cláudia Castelo Branco, imunologista da Universidade de São Paulo (USP), esses eventos adversos podem, inclusive, significar algo bom: que a vacina está agindo. “Todos os medicamentos têm efeitos adversos. A vacina induz uma resposta imunológica que, dependendo da pessoa, pode gerar algum desconforto. Mas isso é esperado. Inclusive pode ser um indício de que o sistema imunológico está se preparando para te proteger”, explica.

Por isso, não há com o que se preocupar caso sinta algum desconforto após ser imunizado. “É esperado uma pequena inflamação local, então pode aparecer dor no braço, cansaço, dor de cabeça. É esperado, de maneira geral, que a taxa de efeitos adversos seja maior na primeira dose do que na segunda. Mas isso varia muito de pessoa para pessoa”, ressalta. A bula de cada vacina traz quais são os efeitos mais comuns que podem ocorrer. De maneira geral, é esperado dor no local, dor de cabeça, dores musculares, cansaço, enjôo e até mesmo febre. Nem todo mundo sente, mas uma parcela da população pode ter esses desconfortos iniciais.

No Brasil estão sendo aplicadas duas vacinas: a Coronavac, da fabricante Sinovac, produzida no Brasil pelo Instituto Butantan, e a Covishield, da farmacêutica AstraZeneca em parceria com a Universidade de Oxford, no Brasil, produzida pela Fiocruz. A expectativa é que nesta semana se junte a essas duas um novo imunizante. A previsão é de que chegue ao Brasil, na quinta-feira (29/4), o primeiro lote da vacina da farmacêutica Pfizer de um total de 100 milhões de doses adquiridas pelo governo brasileiro.

Esses imunizantes serão destinados somente às capitais, porque precisam ser armazenados em uma temperatura inferior a 70°C negativos. No caso desse imunizante, um evento adverso que outros países já relataram é a anafilaxia, uma reação alérgica cujos relatos incluem dor de garganta, urticária e dificuldade para respirar entre 15 e 30 minutos após serem vacinados.

Quando se preocupar
Todas as vacinas aprovadas passaram por testes que comprovaram a sua segurança, mas um efeito em específico tem preocupado a população em geral. Algumas pessoas que tomaram a vacina da AstraZeneca apresentaram uma redução nos níveis de plaquetas e a formação de coágulos sanguíneos. No Reino Unido, onde a vacina está sendo aplicada há mais tempo, foram registrados 168 casos graves de coágulos entre as 21,2 milhões de doses administradas até agora. Dessas, 32 pessoas morreram. A Agência Europeia de Medicamentos (EMA), equivalente à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) no Brasil, disse que a vacina é segura e que os benefícios gerais ainda superam os riscos. Segundo a EMA, esses eventos graves foram relatados em uma taxa de cerca de 1 em 100 mil.

Anna Castelo Branco explica que ainda não há uma comprovação de que os casos tenham sido causados pela vacina, até mesmo por terem sido uma quantidade pequena de casos. “Em alguns países foram relatados casos de trombose. Apesar dos casos acontecerem de forma geral, a agência europeia resolveu alterar a bula. A gente ainda precisa de mais estudos para saber se está relacionado à vacina. A hipótese é de que alguns indivíduos têm uma resposta alterada que daria uma baixa no número de plaquetas que pode favorecer essa formação de trombos. Mas são eventos raríssimos e não há nenhum motivo para não tomar a vacina”, ressalta.

No caso dessa vacina, os eventos adversos mais comuns são sensibilidade no local da injeção, fadiga, dores de cabeça, náuseas, calafrios ou uma sensação geral de mal-estar. No DF, das mais de 70 mil doses aplicadas da vacina, 546 pessoas relataram algum evento adverso. A maior parte ainda está em análise pela Secretaria de Saúde para saber se realmente foi causado pelo imunizante. Entre os analisados, somente um evento foi considerado grave.

Segundo a Agência Europeia de Medicamentos (EMA), quem se vacinou com o imunizante da AstraZeneca deve procurar um médico caso apresente sintomas como falta de ar, dor no peito, inchaço nas pernas, dor persistente no estômago, sintomas neurológicos, como fortes dores de cabeça ou visão turva, ou pequenas manchas de sangue sob a pele.

A orientação da Secretaria de Saúde do DF é sempre informar ao profissional qualquer condição de saúde que tenha ou alergia antes de vacinar. E caso sinta qualquer reação após a tomada do imunizante, deve-se procurar um posto de saúde para orientações. Essa também é a orientação da mestre pelo programa de Imunologia do Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade de São Paulo (ICB-USP) Anna Castelo Branco. “Caso sejam efeitos leves, não tem motivo para se preocupar. Mas caso seja mais intenso é importante procurar o médico. É importante também antes de vacinar a pessoa avisar qualquer alteração de saúde para os enfermeiros. Caso tenha algum risco ele será informado”, destaca.

Em março, a Anvisa emitiu uma nota técnica que manteve a recomendação da utilização do imunizante e concluiu que os benefícios superam os ricos. A agência ainda recomendou que a fabricante indicasse na bula o alerta sobre o possível evento adverso. O Centro de Vigilância Epidemiológica da Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo também emitiu um comunicado defendendo o imunizante ressaltando que ele é seguro e eficaz, como foi comprovado em testes clínicos.

No Brasil, das mais de 4 milhões de doses do imunizante aplicadas, somente foram relatados 47 casos suspeitos de eventos tromboembólicos, mas nenhum teve comprovação de que foi causado pela vacina.

Em entrevista coletiva na semana passada, o secretário de Saúde do DF, Osnei Okumoto, disse que está havendo uma resistência das pessoas à vacina da AstraZeneca. “Tivemos muitas fake news divulgadas através das redes sociais”, afirmou. Ele garantiu que a vacina é segura.

A vacina da AstraZeneca apresentou, nos testes clínicos, uma eficácia de 100% contra casos graves de covid-19. Somente com a primeira dose, o imunizante já apresenta uma eficácia de 72%. A segunda dose deve ser tomada 90 dias após a primeira. Devido ao prazo maior, só na semana passada o DF começou a aplicar o reforço nos primeiros imunizados com a vacina. São profissionais de saúde e idosos com 80 anos ou mais.

Fonte: correiobraziliense.com.br

Quando vou ser vacinado? Site faz previsão aproximada; confira

A plataforma utiliza um cálculo com a média dos últimos 7 dias de vacinação em cada estado para dizer quantos dias faltam para a vacinação

A vacinação no Brasil ainda está lenta e os recordes de mortes diárias devido a covid-19 estão crescendo cada dia mais. Ontem, o país contabilizou 4.249 óbitos, somando 345.025 vidas perdidas desde o início da crise sanitária provocada pelo novo coronavírus. A preocupação está crescendo entre os brasileiros e pensando nisso, Renan Altendorf decidiu criar uma plataforma que possibilita uma previsão de quando cada um irá receber a vacina.

No site Quando vou ser vacinado é preciso colocar apenas a idade e o estado em que reside para conseguir a previsão. O cálculo é feito pela média dos últimos sete dias de vacinação em cada estado, utilizando a projeção da população brasileira e o recorte dos estados por idade com dados disponibilizados pelo IBGE. Para os grupos prioritários, leva-se em consideração a estratégia de vacinação contra Influenza/H1N1 de 2020 disponibilizado pelo DataSUS.

A plataforma, atualizada diariamente, ainda apresenta algumas diferenças entre cada estado, mas, que segundo o criador, é devido a média de vacinação pelos estados e até mesmo pela forma de divulgação de cada um. Em entrevista ao Correio, Renan afirma ainda que os sete dias de média é uma referencia de tempo entre a entrega do governo federal, e o tempo que efetivamente a vacina chega nas cidades.

“Alguns estados fazem atualização em tempo real (Por exemplo SP), mas outros estados soltam lotes de dados a cada 2 (RJ), 3 (SC) e até 7 dias (Acre). Essa semana tivemos um salto bem grande na vacinação no RS por exemplo, então a previsão por lá esta muito boa, já no DF temos uma media de 2068 primeira doses por dia nos últimos 7 dias, é uma queda muito grande, e com isso a previsão futura se alonga”, explicou.

O profissional da área de tecnologia explicou um pouco mais sobre como é feita a previsão: “Como temos feito o trabalho de coletar diariamente a vacinação nos estados, existem robôs que fazem uma parte da coleta, mas todos os dados também são validados um a um manualmente, antes de serem publicados. Com isso geramos uma grande quantidade de dados quase que em tempo real, dessa forma é possível diversos cálculos e previsões”.

Vacinação no DF
Nesta sexta-feira (9/4), 50 pontos de vacinação contra a covid-19 estarão recebendo os idosos com 66 anos ou mais para a aplicação da primeira dose do imunizante. A retomada da imunização deste grupo foi possível após o recebimento de mais 67,9 mil doses enviadas pelo Ministério da Saúde à Secretaria de Saúde do Distrito Federal.

No início deste mês, uma média de 5,6 mil pessoas nesta idade foram vacinadas. Do público estimado em 18 mil moradores do DF, faltam cerca de 12,6 mil idosos com 66 anos a serem vacinados com a D1, primeira dose.

Fonte: https://www.correiobraziliense.com.br/

Miopia entre crianças: telas provocam aumento de casos

Há mais pessoas ficando míopes, e as que já tinham o problema estão com graus maiores, explica oftalmologista pediátrica. Saiba o que fazer para amenizar esse problema

Você tem percebido alguma alteração na visão do seu filho desde o início da pandemia? Um estudo publicado na revista JAMA Ophthalmology mostrou que os casos de miopia entre crianças de 6 a 13 anos quase triplicaram no último ano.

A hipótese dos pesquisadores é a de que a falta de atividades ao ar livre e o maior tempo em frente às telas, por causa das aulas remotas, tenham contribuído para esse crescimento. “Estamos vivendo uma epidemia de miopia também, não só de coronavírus. Existem mais pessoas ficando míopes, e as que já tinham o problema estão com graus maiores”, explica a oftalmologista pediátrica Ana Carolina Cassiano, da Clínica EyeKIDS Oftalmopediatria (SP).

Mais do que nunca, é importante estar atento aos sinais. Se o seu filho se mostra inseguro para explorar ambientes, levanta para chegar mais perto para ler placas ou ver televisão, por exemplo, procure um especialista. “Nos últimos meses, os tablets e computadores entraram ainda mais na vida das crianças. Na hora do lazer, quanto menos telas, melhor. Nos intervalos das aulas online, vale andar pela casa, olhar pela janela, brincar, ir ao jardim”, diz.

MAIS LUZ NATURAL

Segundo a oftalmopediatra Rosana Cunha, da Clínica de Olhos Dr. Moacir Cunha, a luz natural, aliás, funciona como um fator protetor contra a miopia: “Os raios de sol estimulam a produção de dopamina, um neurotransmissor que desempenha papéis importantes no cérebro. Um deles é o do equilíbrio do globo ocular, já que a dopamina regula o crescimento dos olhos”, explica. Na falta dela, os olhos crescem mais alongados, provocando a miopia – que ocorre quando a imagem se forma antes da retina, causando dificuldade para enxergar de longe.

Fonte: https://revistacrescer.globo.com

Vacinados da covid devem esperar 14 dias para receber imunizante contra a gripe

23ª Campanha Nacional de Vacinação contra a Influenza começa na segunda (12/4). No DF, 1.117.656 pessoas, entre idosos, professores, profissionais da saúde, dentre outros, fazem parte do público-alvo da campanha de vacinação contra a gripe

04/03/2021 Crédito: Ed Alves/CB/D.A Press. Brasil. Brasilia – DF. Cidades. Vacinação idosos de 75 anos.

A 23ª Campanha Nacional de Vacinação contra a Influenza começa na próxima segunda e termina em 9 de julho em todo o Brasil. A estimativa da Secretaria de Saúde do Distrito Federal é vacinar 90% das pessoas pertencentes ao público-alvo. No entanto, é preciso atenção às datas no cartão de vacinação, porque quem tomou a vacina contra a covid-19, deve esperar 14 dias para receber a dose de combate à gripe. Essa é uma das principais orientações dos técnicos da Saúde, tendo em vista que as duas campanhas ocorrem no mesmo período.

No DF, 1.117.656 pessoas, entre idosos, professores, profissionais da saúde, dentre outros, fazem parte do público-alvo da campanha de vacinação contra a gripe. De acordo com a Secretaria de Saúde, a imunização permitirá, ao longo do ano, prevenir o surgimento de complicações decorrentes da doença, óbitos e suas consequências sobre os serviços de saúde, além de minimizar a carga da influenza, reduzindo os sintomas que podem ser confundidos com os da covid-19.

Importância
Daniel Amaro, professor do Centro Universitário de Brasília (UniCeub) e especialista em imunologia e vacinação, explica a importância da vacinação. “Como os vírus estão em constante mudança, a proteção que uma dose oferece reduz com o tempo. Sabendo disso, os pesquisadores atualizam as vacinas anualmente, sempre buscando uma maior eficácia”, disse. Ainda que não previnam diretamente contra a covid-19, o especialista ressalta que as vacinas reduzem a pressão sobre o sistema de saúde em relação às doenças gripais. “Com menos hospitalizações, conservamos recursos médicos importantes, que se encontram em escassez, para o cuidado a pessoas com covid-19”, pondera.

Fonte: https://www.correiobraziliense.com.br

Covid-19: como o Reino Unido fez número diário de mortos desabar de 1,3 mil para 36

No dia 19 de janeiro, o Reino Unido registrou o pico diário de mortes em toda a pandemia. Morreram 1,359 pessoas.

Apesar de ser inferior ao número atual no Brasil — na terça-feira (23/03) foram registradas 3.251 mortes no país — em termos proporcionais, considerando o tamanho das populações, a covid matava em janeiro 30% a mais no Reino Unido do que o que acontece agora no Brasil.

O Reino Unido vivia na época uma tempestade perfeita que contribuía para a disseminação da doença em um ritmo muito mais acelerado do que durante a primeira onda, com diversos fatores influindo: campanha de vacinação ainda no começo, nova variante do vírus mais infecciosa e letal, e auge do inverno.

Mas apenas dois meses depois, na última segunda-feira (22/03), o país registrou somente 36 mortes por covid em um dia. Após um longo inverno de restrições e lockdowns, os britânicos agora traçam planos para voltar à uma vida um pouco parecida com a que tinham antes da pandemia.

Escolas foram reabertas no começo do mês, e até o dia 15 de abril o Reino Unido pretende ter dado uma dose de vacina para toda a sua população com mais de 50 anos de idade. A meta é vacinar todos os adultos até 31 de julho.

Como o Reino Unido conseguiu sair do fundo do poço da pandemia em apenas dois meses?

O caminho para saída passou por duas medidas que foram as principais apostas do governo do premiê Boris Johnson: lockdown bastante restrito e grande investimento em vacinação.

Terceiro lockdown
O esforço para diminuir o impacto do coronavírus começou um mês antes do dia 19 de janeiro, quando o número de mortes atingiu seu pico.

Maioria das lojas na famosa Oxford Street de Londres praticamente não abriu ainda em 2021

Nos dias anteriores aos feriados de Natal e Ano Novo, as autoridades já observavam o agravamento acelerado da pandemia. Em apenas duas semanas, o número de casos de covid-19 havia duplicado, de 12 mil para 25 mil por dia.

A população já havia enfrentado dois lockdowns e não havia mais ânimo para um terceiro.

O mais recente deles, decretado em novembro, havia contribuído para derrubar os números temporariamente e fora usado como uma espécie de “barganha” do governo com os britânicos — se a população enfrentasse mais esse sacrifício no mês de novembro, poderia ter um Natal e Ano Novo mais relaxado, inclusive com a possibilidade de viajar e confraternizar com seus parentes.

Mas o plano fracassou.

Assim que as restrições foram levantadas no começo de dezembro, os números dispararam. O governo não manteve sua promessa de relaxar as medidas e restringiu viagens e a interação de pessoas durante as festas de fim de ano.

Foi nessa época, que foi divulgada a existência de uma nova variante do vírus, surgida no sudeste da Inglaterra, que era até 70% mais contagiosa. Ao mesmo tempo, o governo dava início à sua campanha de vacinação — a primeira no mundo ocidental, mas com passos ainda tímidos.

Passadas as festas, o primeiro-ministro Boris Johnson fez um pronunciamento à nação, consolidando o terceiro lockdown.

“Com o país inteiro já sob medidas extremas, está claro que precisamos fazer mais, juntos, para manter essa variante sob controle enquanto nossas vacinas são distribuídas. Nós precisamos fazer um lockdown nacional que seja duro o suficiente para conter essa variante”, disse Boris.

O comércio não-essencial e as escolas foram fechados, exames educacionais foram suspensos e o governo impôs restrições para viagens — tanto dentro do país como em fronteiras.

O governo estendeu o auxílio salarial para mais de 10 milhões de trabalhadores até setembro, com subsídios que podem chegar a 2,500 libras (quase R$ 20 mil) por beneficiado.

A oposição ao governo de Boris Johnson apoiou as medidas.

“Qualquer que seja a nossa crítica ao governo, todos nós precisamos nos unir e fazer isso funcionar”, disse o líder do Partido Trabalhista, Keir Starmer, em janeiro.

Vacinação
Por duas semanas, o número e mortes continuou subindo. Imagens de hospitais operando em capacidade máxima dominavam os telejornais.

Ao mesmo tempo, começaram a surgir os primeiros boletins diários sobre a quantidade de pessoas vacinadas. No dia 19 de janeiro — quando o Reino Unido atingiu seu pico de mortes, e na mesma semana em que a Anvisa liberava o uso da vacinas contra covid no Brasil — 4,6 milhões de britânicos já haviam recebido a primeira dose.

Nesta semana, o Reino Unido já superou a marca de 28 milhões de pessoas com a primeira dose da vacina e 2 milhões com a segunda.

Mas o caminho rumo à vacinação não começou no dia 8 de dezembro, quando a idosa Margaret Keenan, de 91 anos, se tornou a primeira britânica a receber uma dose no país.

Em 8 de dezembro de 2020, a idosa Margaret Keenan se tornou a primeira vacinada no Reino Unido

Em 30 de janeiro de 2020, antes mesmo de haver confirmação de casos de coronavírus no Reino Unido, os cientistas da universidade de Oxford se mobilizaram para pedir recursos para pesquisa em vacinas.

Há um ano, em março de 2020, o governo anunciou investimentos de US$ 750 milhões em pesquisa para se encontrar uma vacina. No mês seguinte, foi assinada a parceria entre a Oxford e a AstraZeneca, para desenvolvimento da vacina que acabou aprovada no fim do ano. A principal vantagem do imunizante em relação aos demais é o fato de ele ser de fácil armazenamento e possuir um baixo custo de produção.

Em agosto, quatro meses antes da aprovação por órgãos regulatórios, o governo britânico já havia fechado negócios para compra de 340 milhões de doses — o que seria suficiente para administrar cinco doses por pessoas.

Esse trabalho de antecipar contratos colocou o Reino Unido na frente de outros países da Europa na corrida por vacinas. Os resultados estão aparecendo agora: o país vacinou duas vezes mais pessoas do que a Alemanha e três vezes mais do que a França.

Esse esforço parece estar tendo recompensas agora, com o Reino Unido levando vantagem em relação ao resto da Europa na reabertura da economia.

“Se você comparar os lockdowns que foram implementados — o de março do ano passado com o de janeiro deste ano — vai perceber que na primeira vez a queda no número de casos foi bem mais lenta”, disse à BBC News Brasil a pesquisadora Julii Brainard, da Norwich Medical School, na University of East Anglia.

“Agora os números caíram bem mais rapidamente, apesar de as condições serem diferentes. E qual foi a grande diferença entre os dois lockdowns? É que agora temos a vacinação acontecendo, o que acelerou a queda.”

O lockdown definitivamente teve impacto na redução dos números, mas as vacinas ajudaram a acelerar o processo.

Ela alerta que mesmo com muitas pessoas recebendo a primeira dose da vacina, estudos recentes indicam que a população pode estar relaxando nos seus hábitos.

“As pessoas não estão indo a grandes eventos e aglomerações, mas elas estão começando a retomar o contato com pessoas mais próximas e circulando mais. Isso precisa ser feito com cuidado.”

Não acabou
Mesmo com o número de mortes tendo caído substancialmente, o Reino Unido ainda está longe de ter se livrado do lockdown.

A maioria dos estabelecimentos considerados não-essenciais continua fechada e só reabrirá a partir de 12 de abril, se houver condições para isso.

Um calendário para reabertura gradual da economia prevê que até meados de junho boa parte das atividades já tenham sido retomadas. No entanto, o governo frisou que esse calendário só será cumprido caso não haja imprevistos no caminho — como atrasos na vacinação ou repique no número de casos, hospitalizações ou mortes.

“Em todos os cenários, se levantarmos o lockdown muito repentinamente, toda a modelagem sugere que teríamos um aumento substancial enquanto muitas pessoas ainda não estão protegidas”, alerta o principal assessor de saúde do governo, Chris Whitty.

“Muitas pessoas podem pensar que tudo isso acabou. É muito fácil esquecer a rapidez com que as coisas podem piorar.”

O Parlamento britânico debate agora sobre a possibilidade de estender as leis de emergência contra o coronavírus até o final de setembro.

O governo não descarta que o país pode ter uma nova onda de coronavírus no final do ano, quando o outono começar. E pesquisadores acreditam que existe a possibilidade de uma nova mutação do vírus surgir que seja imune às vacinas.

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Fonte: https://www.bbc.com